
Capítulo 7
Bella,’s POV
Acordei com dores, de um sono sem sonhos.
Dores nos quadris, nos ombros, nas costas, nas pernas. Dores por dentro e por fora.
O sono me permitiu a falta de consciência por alguns segundos após eu ter acordado. Infelizmente, a consciência veio, e eu pude me lembrar da noite anterior.
Um rapaz bonito, inicialmente gentil. Um rapaz que pagou para ficar uma noite inteira comigo e que, ao final dela, me deixou em um estado deplorável.
Um rapaz que me violentou.
Toc. Toc. Toc.
- Bella! Está acordada?
Toc. Toc.
Eu não queria responder, e queria que Angela parasse de bater na porta. Sentia-me um lixo. Um nojo, um trapo humano.
- Bella! Já são 13h!
Toc. Toc. Toc.
Levantei-me devagar, tentando as posições de minhas pernas, tentando não sentir muita dor. Ajeitei o cabelo com os dedos e fui abrir a porta. Angela estava em pé, com uma bandeja nas mãos, trazendo um prato de cereal e suco de laranja.
- Perdi a hora, Angela. – Falei, sem vida.
Sua reação quase fez com que ela derrubasse a bandeja com todo seu conteúdo no chão. O copo deslizou um pouco, mas ela se apressou a mantê-lo onde estava.
- Bella… O que…?
Ah, sim. Eu. Eu era o motivo por sua reação de espanto, de incredulidade. Eu deveria estar por fora o mesmo trapo que estava por dentro. Cheia de marcas, cheia de resquícios de uma noite violenta e cruel.
Sem a menor curiosidade de me ver no espelho, apenas abaixei a cabeça.
- Um cliente. Um pouco entusiasmado.
- Bella… Eu sei o que é um cliente entusiasmado! Eu já te vi depois de clientes entusiasmados! Isso é diferente!
Caminhei de volta para a cama e me deitei, puxando o cobertor. Angela me seguiu, depositando a bandeja que segurava no criado mudo ao lado da cama e sentando-se nela, ficando perto de mim.
- Bella… O que aconteceu?
Sua voz, assim como ela, era gentil. Angela era a menina que eu mais gostava na casa. Ela se precupava genuinamente com todas nós. Era uma amiga muito agradável e doce, embora eu a conhecesse há pouco tempo.
Mas a doçura na sua voz, o que normalmente me acalmava e me fazia sentir melhor quando algo ruim acontecia, dessa vez provocou outra reação em mim. A doçura de sua voz despertou em mim o rancor e o desespero do que havia acontecido.
E então, sem mais nem menos, me pegando completamente desprevenida, a vontade de chorar veio como um tapa, e eu não pude me conter.
- Ele me pegou à força! – Falei alto, enquanto começava a soluçar com o rosto enfiado no travesseiro, como se pudesse esconder dela que chorava, um choro cheio de dor. Só dor.
- Bella… O que ele fez?
- Me obrigou a fazer… Me forçou a fazer o que eu não faço! O que eu nunca fiz! – Tentava controlar os soluços entre as palavras, mas a dor e a tristeza já tomavam conta de mim.
- Ah, não… – Ouvi Angela dizer, em uma voz fraca e triste. – Bells, eu… Ah, merda…
- AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH! – Gritei um grito abafado pelo travesseiro, tentando conter a dor no peito.
- Calma, calma… – Deitou de lado na cama, me abraçou e beijou meus cabelos, tentando me acalmar. E se houvesse alguém que pudesse me acalmar numa situação daquelas, era Angela.
Não sei quanto tempo fiquei chorando ali. Angela continuava me abraçando, tentando conter meus soluços. Não era um choro normal, daqueles silenciosos. Era um choro que fazia perder o fôlego. Um choro forte, cheio de lamentações.
Lamentações não só pela noite anterior, mas por toda aquela vida. Toda aquela maldita vida que eu levava há tantos anos. Por ser o que era, por fazer o que fazia. Por, noite após noite, ser olhada de cima a baixo, não como um ser humano, mas como um objeto qualquer. Como qualquer merda na vitrine, exposta aos clientes que quisessem comprá-la depois de avaliar seus defeitos.
Finalmente, me acalmei.
- Bella… Vamos, eu vou te ajudar. Tome um banho, vai se sentir melhor. Se quiser ajuda, eu fico aqui.
- Brigada, Angela. – Foi tudo que consegui dizer.
Eu fui tomar um banho quente e, quando saí, Angela já havia trocado a roupa de cama. Os lençóis agora cheiravam a lavanda, e eu me sentia mais limpa, embora estivesse igualmente triste.
- Tome. – Ela disse, entrando no quarto novamente e me estendendo um comprimido e um pouco d’água. – É um analgésico, vai melhorar suas dores.
Assenti, com gratidão.
- Contei à Tanya o que aconteceu. Não se preocupe, ela não vai comentar com mais ninguém sobre isso. Ela permitiu que você tirasse essa noite de folga.
Aquilo fez com que eu me sentisse muito melhor. Saber que eu não ficaria com ninguém aquela noite era um presente, e eu ia me agarrar a ele com todas as forças que me restavam.
- Ah… Dei o cheque que estava em cima da escrivaninha para ela, caso você se pergunte onde ele está.
O cheque. O maldito dinheiro. Que se foda o maldito dinheiro.
Entreguei a ela o copo vazio, indo me deitar embaixo dos lençóis limpos.
- Seus lençóis estavam sujos de sangue. – Falou, me encarando com pena.
- Não reparei. – Falei, em uma voz fraca. Normalmente eu não era de falar muito, mas hoje, queria ficar muda.
- Precisamos dar um jeito nos seus machucados.
Durante boa parte da tarde, Angela ficou cuidando de mim. Levou meu almoço no quarto, já que eu me recusava a sair de lá e encontrar quem quer que fosse. Passou vários tipos de pomadas íntimas e pomadas para a pele em mim, no intuito de diminuir minhas dores. Colocou rodelas de batatas em meus olhos para melhorar o inchaço e deixou em meu quarto alguns tipos de base para pele, que disfarçariam a intensidade das marcas em meu corpo.
- Angela, você já fez muito por mim. Obrigada. Pode ir agora, já está quase anoitecendo.
- Me promete que vai ficar melhor, Bells. Você é muito mais bonita sorrindo.
Eu não tinha a menor vontade de sorrir. Mas Angela estava tentando ser gentil, eu tinha que ao menos fingir que já estava melhor.
- Brigada, Angela. Você me ajudou muito. Vou melhorar, não se preocupe. Fico te devendo uma enorme.
Ela sorriu pra mim e foi embora.
Eu estava sozinha naquele quarto, o que dava a total liberdade ao meu cérebro de pensar.
E eu não queria pensar.
Me enrolei nos cobertores e rezei para dormir. Felizmente, consegui, dado meu cansaço pela noite mal dormida.
…
Quando acordei, já havia certo barulho na casa. Olhei para o relógio que marcava 21h.
Naquele momento, dezenas de homens se divertiam no salão e nos quartos à minha volta. Eu estava alheia a tudo enquanto dormia, mas agora sabia que estava cercada daquela sujeira diária que me perseguia por tanto tempo.
Ainda sonolenta, levantei da cama, vesti um jeans qualquer, uma camisa branca, uma jaqueta e um tênis preto. Olhei-me rapidamente no espelho e vi uma Bella acabada, machucada por dentro e por fora. Tentando não sentir pena de mim mesma (talvez porque não merecesse), peguei um pouco da base que Angela havia me emprestado e espalhei descuidadamente no rosto. O resultado não foi ruim.
Peguei o livro que estava lendo e enfiei-o na bolsa, antes de sair do quarto para o corredor.
Espiei para os lados e vi que o corredor estava deserto. Ótimo, não queria ver ninguém mesmo.
Fui para a direita, rumo à saída dos fundos, onde eu não chamaria a atenção de ninguém.
Pouco tempo depois, já andava despreocupadamente pela rua, direcionando-me para o parque que ficava a dez minutos dali.
Chegando lá, sentei-me em um banco vazio embaixo de um poste de luz baixo. No meio do parque, um lago com chafariz dava a graça ao lugar. Olhei um pouco em volta e notei que ainda havia pessoas no parque, conversando ou apenas fazendo com que o tempo passasse, assim como eu. Duas senhoras tagarelavam a dez metros de mim, em outro banco. Um casal namorava timidamente no outro lado. À minha frente e de costas, um homem com cabelos desalinhados cor de bronze observava o chafariz apoiado na grade que cercava o lago.
Fiquei meditando por algum tempo.
Não havia como fugir do que havia acontecido. Eu teria que aceitar, e talvez nem fosse algo tão difícil. Afinal, eu era uma prostituta, quem sabe conseguiria lidar melhor com isso do que mulheres corretas.
O pensamento de que mulheres corretas e eu estávamos em categorias diferentes não era bom, mas era necessário. Eu precisava saber que não era uma mulher comum, que se casaria e formaria uma família, que teria filhos e netos. Eu não conseguiria isso. Simplesmente tinha que aceitar que a vida que escolhi não me traria esses benefícios.
Era melhor aceitar, porque sonhar com coisas desse tipo doía. Podia ser um sonho bom, um sonho prazeroso, mas ao final do sonho, a realidade vinha com uma força destruidora. Eu jamais seria uma mulher correta. Mesmo que parasse de me prostituir, eu jamais seria uma mulher amada.
Não seria uma mulher amada porque mulheres que estavam na minha categoria não podiam ser amadas.
Você não pode sonhar com isso. Eu pensava, num monólogo interno. Não pode sonhar em ter alguém, em pertencer a só um. Fitei as costas do homem à minha frente, ainda absorto na água do lago.
Não terá um marido. Ele não será carinhoso ou preocupado com você. Não será um homem alto e elegante, com cabelos cor de bronze perfeitamente desalinhados…
O homem que eu fitava em meus devaneios virou-se, aprontando-se para partir. Seu olhar passou através de mim, como se eu fosse invisível. Então foi embora, no silêncio que pairava sobre o parque.
Você é invisível. Aceite isso.
Esse fato sempre doeu. Mas, por algum motivo, ultimamente doía mais.
Olhei para o livro que trouxera comigo. “Orgulho e Preconceito”. Pisquei com força os olhos, tentando espalhar a umidade que me impedia de ver claramente.
- Malditos romances que me deixam sensível…
E como se não tivesse acabado de criticá-lo, abri o livro e comecei a ler.
…
Olhei para o relógio. 23:50h. Hora de voltar.
Encarei o parque, completamente vazio.
- Talvez você esteja brincando com a sorte, Bella. Muito tarde para uma dama. – Falei comigo mesma, baixinho, e me permiti rir com deboche da última palavra.
O ar do parque me fez bem. Ver novos rostos, vê-los alegres e casuais, me fez bem. Eu precisava de situações normais na minha vida. Eu sentia falta disso.
Sentia falta da minha vida antes de ser o que sou. Antigamente, eu tinha orgulho de mim. Um orgulho adolescente idiota, é verdade, mas que não deixava de ser alguma coisa. E mais, muito mais do que ter orgulho, eu não sentiavergonha da pessoa que era. Não precisava olhar para os outros como se estivesse fazendo algo extremamente errado e sujo.
Fui caminhando de volta para a Casa de Tanya. A essa hora, o ambiente era bem movimentado. Muitos homens. Muita diversão. Muito sexo.
Edward.
Lembrei dele, assim, sem nenhum motivo.
Ele era gentil comigo. Era diferente dos outros homens. Diferente de James.
Ele estaria lá? Estaria se divertindo com outra menina? Era provável.
Então senti uma pequena vontade em vê-lo. Talvez ele mostrasse compaixão comigo, vendo meu estado. Ele seria carinhoso. Seria gentil, e sorriria para mim com aquele sorriso.
- Pare de pensar asneiras, sua imbecil. – Me xinguei em voz alta.
Nem ele nem ninguém me veria essa noite, nesse estado.
Cheguei à rua da Casa a tempo de ver um Volvo prata se afastar, virando a esquina oposta.
Entrei pelos fundos, subi para o corredor e me tranquei em meu quarto.
…
Acordei no dia seguinte sabendo que seria diferente. Minha folga acabara, eu teria que voltar ao trabalho.
Esse pensamento me desanimou logo de manhã. Reuni forças para sair do quarto, rumo ao café da manhã no andar de baixo.
- Bella! – Angela me alcançou nas escadas. – Como você está?
- Estou melhor, Angela. Pronta para outra. – Pisquei, sorrindo falsamente.
Tomamos café juntamente com as outras meninas. Não conversei muito durante a refeição, mas isso não pareceu chamar a atenção de nenhuma das meninas, que continuavam tagarelando alegremente.
O resto do tempo, passei lendo, parando apenas para ir algumas vezes ao banheiro e almoçar. Depois voltava para a cama e continuava a leitura, abalada algumas vezes pela minha mania em não conseguir me concentrar e começar a pensar em terceiros.
- Concentre-se. Isso é a única coisa agradável que você terá hoje. Uma boa leitura. – Falei em voz alta para mim mesma.
A noite chegou, e eu consegui ficar mais desanimada do que de costume. Algumas meninas já haviam descido, então comecei a me arrumar.
Tomei um banho, escolhi as roupas mais discretas que pude, passei alguma base em meus machucados, disfarçando-os, e com o ânimo de quem vai de encontro à morte, desci.
Não demorou até que meu primeiro cliente me escolhesse. Um homem com seus quarenta anos de idade, apático.
Demonstrava ansiedade enquanto conversava comigo, tentando inutilmente estabelecer uma melhor conexão entre nós. Quando chegamos ao quarto, sua excitação pareceu esfriar ao ver meus machucados em evidência. É claro que aquilo era broxante.
Infelizmente, isso não foi o suficiente para fazê-lo desistir de mim.
O mesmo aconteceu com o segundo, terceiro e quarto clientes. Todos eles me olhavam com fome no salão, mas quando viam meu estado, ficavam desanimados.
Assim que notei que o quarto cliente já estava esgotado em minha cama, me levantei e, sem esperá-lo sair do quarto, fui tomar mais um banho, me limpar. Escovei os dentes e passei meu creme para hematomas, já que meu corpo estava completamente marcado pela noite anterior e pelos quatro homens que eu tive essa noite. Já estava exausta, queria dormir, mas ainda era meia-noite, o que significava que aquele dia de trabalho estava só começando.
Saí do banheiro e ele não estava mais lá. Ótimo.
Vesti uma blusa verde de mangas longas, uma calça jeans e uma sandália fechada. Tanya provavelmente me reprovaria pelo modo como me vesti, mas eu não me importava muito. Não queria que ninguém me visse, que ninguém mais notasse minha presença.
Sentei na cama por alguns minutos, olhando sem interesse para a porta fechada do meu quarto.
Eu não quero descer. - Pensei.
- Mas você precisa descer. – Falei em voz alta.
Mas eu… não quero.
– E desde quando o que você quer importa?
É verdade…
Fiquei encarando a porta mais alguns segundos. Estava triste e deprimida. Estava cansada e meu corpo ainda doía em quase todos os lugares.
- Vamos lá, Bella. – Falei, com uma falsa animação. – Quem sabe seu príncipe encantado não está esperando por você lá embaixo?
O tom de deboche em minhas palavras até me fez rir, um riso amargurado.
Suspirei, levantei-me da cama e desci mais uma vez para o salão.
…
Desci as escadas, enquanto observava o lugar. Quanto mais tarde, mais cheia a casa ficava. Aquela noite não era diferente.
E então, eu o vi.
No meio da multidão, destacava-se um homem alto, charmoso, com cabelos cor de bronze lindamente bagunçados. Estava apoiado no bar, bebendo uma dose de alguma coisa, olhando para o lado oposto ao que eu estava. Parecia pensar em muitas coisas ao mesmo tempo, nenhuma delas agradável.
Não sei explicar por quê, mas eu me peguei admirando aquele homem, parada alguns degraus acima na escada. Não o admirei apenas pela sua óbvia beleza, mas por todo seu conjunto. Sua postura, seu charme, a força que sua presença parecia exercer naquele lugar. Embora nenhum cliente o notasse, tinha certeza que todas as mulheres estavam cientes da presença daquele homem.
Pensei no fato de que não o via há muito tempo. E vê-lo naquele momento, a alguns metros de mim, me proporcionou uma repentina alegria. Eu poderia até sorrir.
Não queria aceitar, mas o fato é que eu estava eufórica por vê-lo. Porque aquele homem era, de alguma maneira, por algum motivo, mais importante do que todos os outros daquele lugar, mesmo que ele só me visse como mais uma das meninas da Casa de Tanya.
Olhei em volta e vi vários homens sozinhos. Alguns já me olhavam com interesse.
Não pensei duas vezes.
Desci os últimos degraus, seguindo em linha reta até Edward o mais rápido que pude, sem chamar muita atenção.
Cheguei ao bar, mas ele continuava absorto em seus pensamentos. Toquei seu ombro timidamente.
Ele se virou para mim e então, me analisou.
Analisou cada pequeno detalhe em mim, fazendo com que o silêncio entre nós se prolongasse.
Aquele homem, o único homem que parecia se importar um pouco comigo, com o meu estado, estava à minha frente, me observando em silêncio, com uma expressão de desagrado e confusão no rosto. O único homem que me tratou minimamente bem durante todos esses anos.
Por favor, me escolha. – Eu pensava, como se meus pensamentos pudessem persuadi-lo.
Preciso de alguém gentil… Por favor…
O silêncio começou a me incomodar, então eu falei.
- Eu estou livre…
Dei um passo a frente, e pude sentir seu perfume. Um perfume que eu não sentia há dois dias. Um perfume que, agora eu notava, me fazia falta.
Ele continuou me fitando, olhava muito para o meu pescoço. Devia estar distraído com algum problema pessoal, mas eu queria que ele me notasse. Queria que ele falasse comigo.
Queria que ele me escolhesse.
- Eu não tenho nenhum cliente agora. Estou livre, se você quiser ficar comigo. – Repeti, para o caso de não ter ouvido.
Por favor… Me escolha, por favor…
Finalmente, ele se pronunciou.
- Oi, Isabella. Está com receio de que alguém deste salão te escolha?
Estava. Eu estava com esse receio, precisava que ele me escolhesse antes que alguém o fizesse. Mas não era sóisso que me fazia ir até Edward e me oferecer como estava fazendo. Algo me atraía para ele. Um sentimento de proteção…
Estava. Eu estava com esse receio, precisava que ele me escolhesse antes que alguém o fizesse. Mas não era sóisso que me fazia ir até Edward e me oferecer como estava fazendo. Algo me atraía para ele. Um sentimento de proteção…
Talvez ele não quisesse ficar comigo. Talvez já estivesse com alguém, apenas esperando para subir e se divertir. Talvez já até tivesse se divertido.
Olhei em volta e, novamente, notei alguns homens me olhando.
Eu não queria ficar com aqueles homens. Não queria ficar com qualquer um…
- Não… É que eu pensei que você quisesse… Você já está de saída?
- Não, cheguei há quinze minutos. Estava esperando por você, já que estava ocupada.
Ele estava esperando por mim! Por mim!
- Ah, sim. Eu… não estou, agora. – Disse, finalmente, querendo apressar as coisas.
Ele ficou imóvel, olhando em meus olhos por alguns segundos, sem dizer nada. Por fim, falou.
- Ótimo. Cinco minutos?
- Cinco minutos. – Assenti.
Subi as escadas novamente, e embora eu não entendesse o que sentia ou o porquê, uma coisa era certa: Pela primeira vez em muito tempo eu me sentia, de certa forma, feliz.






