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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Bella Problema x Edward Solução: Capitulo 3 - Todo Mundo Enlouqueceu?



Capítulo 3 - Todo Mundo Enlouqueceu?
Bella’s POV
– Aiiiii… que fome! – Tentei disfarçar, encarei Alice que ria baixinho. O que aquela fofolete estava pensando?
– Eu vou pedir para os empregados servirem o jantar. – Carlisle chamou uma de nossas empregadas que o atendeu prontamente.
Eu só conseguia pensar no chute que Alice me deu. O que ela queria afinal? Aproximei minha cadeira da dela e, sem nenhuma cerimônia, perguntei em um fio de voz que eu mesma quase não ouvi.
– O que foi?
– O que você pensa que está fazendo, sua terrorista da moda? –Ela sussurrou contrariada.
– Que?
– Que porra de roupa é essa? Tá querendo assustar os convidados? Se for isso, está conseguindo. Tenho certeza que vi aquele loirinho, o Jasper, tremer um pouquinho quando você apareceu na escada.
Eu ri.
– Fofolete, fica na tua, que eu sei o que estou fazendo. – MENTIRA.
– OLHA SÓ PAI! ELE CURSA MEDICINA! – Rosalei praticamente gritou.
– Eu sei, Rosalie. Edward, você estuda em Darthmont, não é? – interrogou Carlisle.
– Oh, que ótimo! Você já pode idolatrá-lo. – Não resistir, falei sem pensar.
– Sim, eu gosto de Darthmont.
– O que você estuda, Jasper? – Perguntou Alice. Espera! Me ignoraram?
– Estou no primeiro ano do curso de Artes, estou adorando.
– Eu curso administração, mas estou lá mesmo para jogar futebol americano. – Disse Emmett com um largo sorriso sem ninguém perguntar... babaca.
– Você deve ser bom jogando. – Puxou o saco Carlisle, enquanto segurava a mão da sua namoradinha.
– O que você faz Alice? – Perguntou Edward, após um gole de vinho.
– Acabei de ser aceita em Yale, estou animadíssima.
– Rosalie, chegou uma coleção nova de langerie, tenho certeza que você vai gostar.
Esme é dona de uma loja sofisticada de langerie, isso é motivo suficiente para ela e Rose serem grandes amigas, mas eu acho que é tudo falsidade das duas. Ri com meu pensamento.
– Vou sim, quero que você me dê umas dicas, estou pensando em abrir uma boutique de luxo com roupas desenhadas por mim. – Ela sorriu e fitou Edward.
Sério, essa conversa está me deixando meio enjoada.
– E você, Bella, o que pretende fazer? – Perguntou Esme em uma tentativa estranha de me incluir na conversa chata.
– Resumindo… não estudo mais, não trabalho, não faço nada que interesse a vocês e só vivo para gastar a grana do papai. – Respondi irônica.
Juro que ouvi alguém sussurrar “que mala”, mas não consegui identificar a voz.
O jantar finalmente foi servido, eu não estava com fome, mas me forcei a provar um pouco da sopa. Não tirei os olhos de Carlisle e Esme que conversavam baixinho. Eu conhecia meu pai e, pela sua expressão, ele parecia preocupado.
Carlisle pigarreou e começou:
– Eu os convidei para esse jantar para comunicar uma decisão…
– Espera! Que palhaçada poderia ser pior que esse jantar? Só se você me disser que vai casar. – Brinquei colocando uma colherada de sopa na boca.
– Isso mesmo!
A sopa não desceu, coloquei tudo para fora em um engasgo. Mesmo atônita, vi Edward limpar o olho esquerdo com um guardanapo. Poxa, não tive culpa! Quem mandou ele sentar de frente pra mim?
– Diga que está brincando, Carlisle!
– Não, Bella. Eu pedi Esme em casamento e ela aceitou.
Paralisei totalmente olhando para Carlisle e Esme, enquanto observava todos à minha volta, os parabenizar com abraços calorosos e sorrisos. Minha respiração estava ficando cada vez mais escassa, por dentro, eu estava aos berros, mas por fora, eu parecia uma perfeita estátua de museu.
– Quando vai ser o casório? – Perguntou Rosalie.
– Após a viagem. – Esme respondeu animada.
– Que viagem, mãe? – Questionou Edward.
– Por favor, tentem ser flexíveis. – Quespirou Carlisle antes de continuar.
– Esme e eu planejamos viajar para a Itália e provavelmente passar uns dias na Espanha também, pretendemos convencê-los a nos acompanhar. Seria ótimo se passássemos um tempo juntos, para nos familiarizar. Sei que não vamos morar juntos após essa viagem, pois a maioria de vocês está na universidade. Por isso mesmo que queremos aproveitar essa oportunidade.
– Em breve seremos uma grande família, mas não é fácil, já que vocês mal se conhecem, essa viagem seria um teste, uma tentativa de transição suave de duas famílias distintas para uma só. – Esme parecia confiante em seu discurso.
Será que eu estava tendo um pesadelo? Será que eu morri e fui para o inferno? Então, cadê o capeta? Porque eu ainda não tinha saído correndo com as mãos na cabeça? Eu estava entorpecida, talvez em choque.
– Parece uma idéia muito boa, hum, viagem, hum, quem resistiria? – Alice ia me pagar caro por aquele comentário. De que lado ela estava?
– Quanto tempo pretendem ficar na Europa? – Ótimo! Até o esquisito do Jasper pareceu se interessar.
– Achamos que três meses é o suficiente. – Respondeu Carlisle relaxando ao ver que a idéia estava agradando a alguns.
– Não sei se vou poder ir, agradeço desde já o convite. Tenho muitas coisas para resolver nestas férias, e três meses é tempo demais. – Edward parecia relutante.
– Não quero nem saber... viagem? Tô dentro! – Esse tipo de afirmação só podia vir de alguém tão idiota quanto aquele Emmett.
Essa seria um boa hora para Alice me chutar. Eu precisava acordar! Eu precisava reagir.
SOCORRO!!! MEU PAI NÃO PODE CASAR COM ESSA MOSCA MORTA, EU NÃO QUERO UMA FAMÍLIA NOVA!!!
Eu queria gritar isso, mas minha voz não obedeceu.
– Bella? Você está bem? – Finalmente Alice notou meu estado de letargia. Ela pôs a mão em meu ombro e eu consegui reagir.
– TODO MUNDO ENLOQUECEU? ESSE CASAMENTO NÃO VAI ACONTECER! NUNCA! – Gritei usando todas as minhas forças para não chorar, afinal, eu não choro, nunca. Chorar é coisa de fracassado.
Saí correndo da sala de jantar, ouvi meu pai me chamar, mas não dei atenção. Tudo que eu queria era sair daquele lugar, senti que ia explodir e matar Esme. O meu mundo estava mudando e isso me deixava aterrorizada. De maneira alguma podia aceitar Esme Cullen como madrasta.
Novamente as imagens de minha mãe Renné submergiam do meu inconsciente, me lembrando momentos felizes em que eu podia ver ela e Carlisle juntos em um amor que provavelmente não existia mais nesse mundo. Podia lembrar o quanto Carlisle era tolerante comigo antes de conhecer Esme, diferente do Carlisle mandão que era agora.
Fui até a garagem onde estava a minha moto, uma Ducati 749, ela e minha guitarra Fender são meus únicos amigos e minhas paixões. Subi na moto, o ronco do motor me acalmaria, sabia que a velocidade me faria sentir livre e despreocupada. Suspirei, atravessei os portões de ferro cantando pneu.
Quatro dias se passaram desde aquele maldito jantar. Foram quatro dias sufocantes em que discuti várias vezes com Caslisle. Bem, não se discutir é a palavra adequada para definir isso.
# Quarto de Caslisle, um dia atrás #
– Por favor, por favor Carlisle, não case com aquela mosca morta.
– Já está decidido, Bella, você vai ter que aceitar. Acho melhor você ir arrumar suas malas. – Respondeu ele calmo enquanto lia o jornal sentado na cama.
– Não vou nessa viagem com os Cullen, eles são muito idiotas e estranhos. Juro que aquele esquisito loiro, Jasper (acho que é esse o nome) fuma maconha. Só pode ser, ninguém pode ser tão lesado assim. E aquele grandão? Caslisle, ele pode ser um assassino em série! Ele sorrindo me dá calafrios na espinha. Já o tal de Edward nem deve tomar banho, já viu aquele cabelo? Deve ser todo ensebado, meu Deus! – Eu gesticulava tentando ser persuasiva.
– Aposto que eles tiverem uma boa impressão de você também. – Caslisle riu baixinho.
– Eu já comprei sua passagem, Bella, é melhor aceitar e aproveitar a viagem, é uma ótima oportunidade de aprender italiano.
– SEM CHANCE! – Comecei a soluçar, coloquei as mãos no rosto fingindo um choro ressentido.
– Você agora só faz o que Esme quer, esqueceu que sou sua filha.
– Boa tentativa, Bella, eu não caio em chantagem emocional e eu sei que você não chora. – Falou meu pai, jogando o jornal na cama tranquilamente.
– Alice vai sentar ao seu lado no avião.
– Merda! – Gritei antes de sair do quarto batendo a porta.
(...)
Tudo bem, não foi uma discussão, é difícil discutir com alguém como Carlisle, ele é muito calmo, seria mais fácil discutir com o Gandhi. Eu preferia que nós discutíssemos, seria um sinal de que ele se importa com a minha gritante rejeição a esse casamento, mas ele parece não se importar nem um pouco.
HORA DE BOLAR UM PLANO, E RÁPIDO!
Era noite e Carlisle oferecia seu último jantar antes da viagem, eu não havia feito mala alguma, ainda esperava por um milagre ou um plano melhor, pois o meu único plano no momento era ficar aqui escondida, na escada, ouvindo os murmúrios da conversa entre minha família e os Cullen na sala de jantar.
– Me desculpe pela ausência de Bella, ela está indisposta hoje. Tenho certeza que amanhã mesmo antes de embarcamos ela já estará totalmente recuperada. – Explicou Caslisle.
Não é fácil fingir que está doente quando seu pai é um médico, mas consegui driblar Carlisle e evitar aquele jantar horroroso com os Cullen.
– O que ela tem? Está com dor de barriga?
– Emmett! Não seja inconveniente. – Esme chamou a atenção do filho.
Mesmo com vontade de chamar Emmett de “babaca” eu só consegui rir, pois foi exatamente isso que disse ao meu pai para fugir do jantar.
– Fico feliz que tenha aceitado o meu convite, Edward, sua mãe ficou muito triste quando você confessou que não iria.
Carlisle tinha que puxar tanto o saco dos filhos de Esme?
– Não se ofenda Carlisle, eu apenas não estava muito empolgado com essa idéia de passar três meses morando com vocês, realmente não fazia parte dos meus planos.
Edward pareceu sincero ao confessar aquilo.
– O que te fez mudar de idéia, Edward? – Perguntou a intrometida da Rose.
– Ele não quer deixar a mamãe sem a supervisão dele perto da Bella. – Falou Emmett em um tom alto demais.
Por alguns segundos a sala de jantar estava mergulhada em um silêncio que atiçou minha curiosidade.
– Que foi? – Perguntou o babaca do Emmett.
– Emmett fala sem pensar. – Riu Jasper, o suposto maconheiro.
– Não se preocupem, Bella não fará nada contra Esme. – assegurou Carlisle.
– Desculpe Carlisle, Emmett só quis dizer que sua filha é um pouco imprevisível.
– Bella irá se comportar melhor, não se preocupem. – Podia até imaginar a cara do meu pai dizendo aquilo, um sorriso mostrando confiança e uma dúvida estampada em seus olhos.
Ele que pensa que eu não farei nada. Hum, é bom saber que eles estão receosos quanto as minhas atitudes, provavelmente eles acham que eu vou destruir essa tentativazinha ridícula de unir as famílias. Que eles acham? Que vou enlouquecer Esme? Que vou infernizar tanto a vida deles nessa viagem que eles simplesmente não vão mais suportar ficar juntos?
ESPERA!
OH, MEU DEUS!
É ISSO!
Quase saí pulando de alegria. Finalmente uma idéia, finalmente um plano, algo que eu realmente adoraria fazer. Era como abrir a caixa de pandora, eu não iria parar, eu não iria me importar com as conseqüências. Apenas iria impedir aquele casamento a qualquer custo.
Estava distraída demais com o meu plano genial. Quando dei por mim, já ouvia passos vindo na direção da escada. Droga!
– Não se esqueça Edward, o banheiro fica na segunda porta à direita! – Gritou Alice-fofolete.
Droga, droga!
Olhei de um lado para o outro, procurando um lugar para me esconder. Aquele maldito Cullen não poderia ter escolhido hora pior para usar o banheiro. Em meio a aflição, empurrei a primeira porta que vi e entrei no cômodo. Quando olhei a minha volta, eu mal pude acreditar.
QUE SACANAGEM!
Estava justamente dentro do banheiro, tive vontade de gritar. Me virei em direção à porta, mas era tarde demais. Alguém já mexia na maçaneta. Me joguei dentro da banheira e fechei a cortina ficando deitada imóvel torcendo para ele não me encontrar ali, ia ser constrangedor demais.
Ouvi Edward fechar a porta e abrir a tampa da privada.
Ai, meu Deus, por favor, não faça isso comigo. Eu prometo que vou ser boazinha, nunca mais vou mandar vírus por email pra ninguém, nunca mais vou fazer montagem colocando o rosto da Rosalie no corpo do Michael Jackson. Eu prometo.
Fazia minhas orações em pensamento, esperando evitar aquela situação, no mínimo, bizarra.
Mesmo tampando os ouvidos, pude ouvir Edward Cullen fazendo xixi.
ECA, ECA, ECA!
Alguém me mate! Sério, me matem agora!
Ele apertou o botão de descarga e abriu a torneira da pia. O som da água só me fazia relembrar do som de Edward fazendo xixi. Saco!
Edward bufou.
– Não acredito que vou nessa viagem. Não acredito que deixei Jasper me convencer!
Espiei um pouquinho através da cortina e o vi lavando o rosto. Em seguida, ele encarou o espelho.
Tragam uma camisa de força, o maluco fala sozinho. Ok, ok, eu sei que também faço isso, saco!
– Vai ser um inferno aturar aquela garota mimada. Tudo bem Edward Cullen, você consegue, sua mãe é mais importante. Você tem obrigação de cuidar de sua mãe e de seus irmãos. Se aquela pirralha fizer qualquer coisa contra Esme, eu não vou engolir fácil. – Ele bufou mais uma vez.
Enxugou o rosto em uma toalha pendurada próximo a pia e sussurrou para si mesmo, sorrindo:
– Ao menos as italianas são lindas, e aquela Rosalie, hum, gostosa.
Revirei os olhos. Que homem idiota. Provavelmente outro Mike Newton da vida.
Para o meu total alívio, ele saiu do banheiro. Abri a cortina e fui em direção ao espelho que a pouco ele havia encarado. Meu reflexo mostrava entusiasmo e convicção.
– Então, prepare-se Edward Cullen, você vai ter que engolir muita coisa nessa viagem.

Diário de Kristen Stewart: Capitulo 4 - Clareira



Capitulo 4 - Clareira 

Jan 21
Entre provas de roupas e reuniões de produção, eu o procurava com o olhar. Mas eu não o vi durante todo o dia. Cheguei em casa sem saber se ele apareceria ou não. Apenas porque estava preocupada com os ensaios, claro. As gravações começariam dali a poucos dias e lá se iam as oportunidades de colocarmos o texto em ordem. Liguei a TV e estava passando um filme antigo. Era interessante. Mas minha mente estava longe… Cansada de tentar entender a história, eu desliguei a TV e peguei o roteiro.
Se Rob não ia aparecer pra trabalhar, que se danasse. Eu não iria levar bronca por causa dele. Mas as letras dançavam na minha mente e eu devo ter adormecido, pois acordei de repente com o som incessante da campainha; Olhei o relógio. Era tarde. Mas eu sabia quem era. Era muita cara de pau bater na minha porta aquela hora, mas mesmo assim eu levantei cambaleante e abri a porta. Ele sorriu. Deslumbrante, foi a palavra que veio a minha mente. Desta vez, estava sem aquela toca ridícula e os cabelos dançavam rebeldes ao vento. Suspirei, nem sei porque. Eu estava brava? Certamente que estava. Mas bem lá no fundo havia a constatação incômoda de que eu estava ridiculamente feliz por ele ter aparecido. Claro que eu devia estar contente. Era pelo trabalho. Chega de noites improdutivas.
-Ora, ora, quem apareceu – exclamei irônica Ele deu ombros
-Antes tarde do que nunca.
-Achei que fosse melhor do que frases feitas… – minha atenção foi para um carro parado na minha porta. Era prata e era… Um volvo?Eu o fitei espantada.
-O que é isto?
-Eu roubei.
-Engraçado! Por acaso isto não é o mesmo da produção é?
-Por acaso é. Mas e daí?
-Rob, como conseguiu pegar isto? Ficou maluco?
-Peguei emprestado… ou algo assim. Vou te levar em um lugar. Cadê o roteiro? – disse ele.
-Esta aqui em algum lugar.
-Então vá pegar.
-Eu não vou a lugar nenhum com você.
-Vai sim.
-Rob, estou falando sério. É tarde e…
-Mas nós vamos trabalhar. – Eu levantei a sobrancelha incrédula. -Vamos Kristen.
-Quer mesmo que eu acredite em você?
-Não falei pra pegar o roteiro?
-Ok, mas é bom que não esteja de brincadeira. – Eu voltei correndo e peguei o roteiro que tinha deixado jogados de qualquer jeito no chão.
-Entra – ele falou abrindo a porta do carro pra mim. Eu entrei, uma estranha sensação de irrealidade me dominava. Pior que não era de hoje. Era desde que eu pisara em Oregon. Ou seria desde que comecei a ensaiar com Robert? Ou tentar ensaiar seria a palavra adequada. Eu o fitei de soslaio. Ele cantava uma música, os dedos tamborilando no volante. De repente ele me fitou e sorriu um daqueles sorrisos de lado e eu tive a necessidade fremente de falar alguma coisa bem neutra.
-Você não acha que o roteiro esta muito diferente do livro?
-O que?
-O roteiro. Está diferente. Acha que as pessoas vão odiar?
-Elas já me odeiam mesmo – falou casualmente. Claro que eu sabia do que ele estava falando. Os fãs não foram muito simpáticos com ele até agora.
-Duvido que odiarão por muito tempo. Você tem este efeito sobre as pessoas.
-Que efeito?
-Como se não soubesse.
-Não sei não. – Ok, ele estava me provocando. Mas eu também sabia que ele não podia ser tão indiferente como tentava aparentar sobe o fato de muitos fãs não gostarem dele como Edward. Mas o que eu podia dizer pra convencê-lo? Você é tão lindo quanto qualquer vampiro imortal? Não. Era melhor não dizer nada.
-O que fez hoje? Não te vi – mudei de assunto.
-Fono. Para sotaque americano – ele respondeu sem o sotaque inglês. Era estranho. Já estava acostumada com aquele sotaque, que pra ser sincera era bem charmoso.
-Esta razoável – caçoei. Ele apenas riu e parou o carro.
-Onde estamos?
-Adivinha. – Eu saí do carro e reconheci uma das locações pelas placas indicativas Rob segurou minha mão, me puxando para dentro da cerca amarela de proteção.
-A gente deveria estar aqui? – eu cochichei, ele acendeu uma lanterna na minha cara.
-A pergunta seria: podemos estar aqui?
-Que seja… – falei preocupada. – Podemos?
-Acho que não. Mas quem se importa? – Mais uns passos e estávamos na clareira. A Clareira do Edward. Que aquela hora parecia um breu. Eu ri
-Esta brincando não é?
-Na sua casa não estava rendendo mesmo.
-Tenho que concordar com você. – Ele deitou e acendeu um cigarro. Eu fiz o mesmo. Quer dizer, tirando a parte do cigarro.
-A quanto tempo você fuma? – perguntei curiosa.
-Nem sei – Eu virei, apoiando minha cabeça na mão.
-Não sei nada sobre você – falei surpreendendo a mim mesma. Não sei porque, mas de repente eu estava muito curiosa sobre ele.
-O que quer saber?
-Sei-lá. Qualquer coisa – Ele ficou em silêncio por alguns instantes.
-Minhas irmãs me vestiam de mulher e me chamavam de Cláudia quando eu era criança – Eu ri.
-Fala sério!
-Mas é sério – Eu comecei a gargalhar, deitando no chão como ele.
-Sua vez – ele falou. Eu fechei os olhos. Era realmente muito bom estar ali, no escuro, apenas os sons da noite nos acompanhando, e a fumaça do cigarro no meu nariz. Eu tossi e ele riu.
-Pelo amor de Deus, Robert, apaga isto! – Ele riu ainda mais, mas apagou o cigarro.
-Satisfeita?
-Bem melhor assim. Suas namoradas não reclamam disto não?
-Namoradas? No plural? – Eu dei de ombros.
-Não sei… pode até ser. Diga-me você. – Falei.
-Diz você primeiro. Quantos namorados?
-Um só.
-Não imaginei que fosse tão provinciana. -Eu soquei o ombro dele.
-Está pensando que eu sou o que? Só por que nasci e cresci em Hollywood devo ser maluca? Está vendo programas de fofoca demais!
-Estava brincando, Kristen.
-Eu só queria deixar isto claro!
-Esqueci que tem 17 anos, nada de bebidas e drogas e.. garotos.
-Pula a parte dos garotos – eu não resisti.
-Oh oh – ele riu malicioso.
–Garotos são permitidos.
-Um garoto apenas.
-Como falei, bem provinciana… há quanto tempo vocês estão juntos? – ele indagou pegando o maço de cigarro. Mas antes que ele conseguisse pegar, eu arranquei da mão dele e botei no bolso do meu jeans
-Quase dois anos – respondi, ignorando a cara feia dele, mas como era de praxe, ele não ficou bravo por mais de alguns segundos.
-Uau. É muito tempo.
-Você mesmo disse, sou “provinciana” – falei imitando seu sotaque inglês.
-A vida é curta pra ser provinciana, Kristen.
-Cala a boca, Cláudia. – Nós rimos até cairmos no silêncio. E eu me vi pensando sobre o que ele tinha dito. Será que eu era mesmo uma pessoa que não aproveitava a vida? Me sentei, sentindo-me incomodada.
-O que foi? – perguntou num tom preguiçoso. Eu abracei os joelhos junto ao corpo, sentindo frio pela primeira vez na noite.
-Acha mesmo que sou assim?
-Assim como?
-Provinciana… – Ele sentou-se ao meu lado.
-Você pode ser o que quiser, Kristen.
-Não quero ser como os outros.
-Não precisa ser – Ele afastou uma mecha dos meus cabelos, os dedos permanecendo no meu rosto.
–Não sei porque luta pra ser comum, quando nasceu pra se sobressair – Talvez fosse a escuridão, mas a proximidade dele me deixou nervosa. Ou temorosa, ou algo assim. Algo que eu nem queria analisar. O que eu sabia era que alguma coisa dentro de mim gritou para que me afastasse dele e foi o que eu fiz, deitando de novo na grama fria. Ele deitou ao meu lado.
-Acho que esquecemos o roteiro em algum lugar – ele riu, aquele riso contagiante. E de repente eu ri também, a tensão passando como se nunca tivesse existido. E eu percebi que não existia outro lugar do mundo que eu gostaria de estar naquele momento. Ao lado daquele inglês de cabelos bagunçados e riso fácil. Que fumava feito uma chaminé, mas era capaz de fazer com que eu me sentisse a pessoa mais corajosa do mundo.
Talvez ele tivesse razão e eu estivesse desperdiçando algo vital. Ao lado dele tudo parecia tão fácil… e talvez fosse. Ele estendeu o braço e sem falar nada, eu deitei minha cabeça em seu ombro contemplando o céu nublado e sem estrelas acima de nossas cabeças.
-Kristen?
-Hum?
-Nunca mude. Eu gosto de você assim.
Eu sorri e fechei os olhos Me sentindo feliz demais. Ou algo assim.

De Repente Amor: Capitulo 15



Capitulo 15

Bella’s POV
Acordei cedo no sábado. O relógio marcava perto das 7h, enquanto eu me acostumava à claridade suave que preenchia o meu quarto através das frestas da persiana.
Não consegui dormir direito aquela noite graças aos sonhos que teimavam em vagar pela minha cabeça. Sonhei com meus pais, ainda vivos, deitados ao meu lado na mesma cama em que eu agora me encontrava. Meu pai mexia em meus cabelos, e minha mãe fazia carinho na minha barriga, como costumava fazer quando eu era pequena e tinha problemas para dormir. Ambos pareciam me confortar por algum motivo que eu desconhecia.
Também sonhei com Edward. Não lembro direito o que foi, mas sei que era ele porque, primeiro, ele vestia as mesmas roupas de ontem, e segundo, minha cabeça atualmente apresentava a mania irritante de colocá-lo em meus sonhos todos os dias.
Me permiti ficar aconchegada em meu cobertor e pensar nele. Não que eu quase não fizesse isso, mas pensar nele era bom, e eu nunca parecia cansar de lembrar do rosto que atormentava ou dava luz aos meus sonhos. De fato, talvez fosse por isso que eu não conseguia não sonhar com ele.
Lembrei do que aconteceu ontem. Foi tudo tão rápido que, quando dei por mim, já estávamos fazendo o que estávamos fazendo. Ele não havia me impedido dessa vez. Pelo contrário, até fez com que eu acreditasse que queria, e a julgar por seus olhos que esbanjavam desejo, mesmo estando claramente bêbado, e por sua nada discreta ereção, ele realmente queria.
Essa era a parte que me deixava confusa, porque, no final da noite, eu tive a clara impressão de que ele estava tentando me evitar.
A forma como Edward foi embora pareceu uma fuga. Eu não sabia do que ao certo ele fugia, mas me senti incrivelmente frustrada, principalmente depois de tudo o que aconteceu naquela noite. Havia sido ele quem havia começado a sedução, coisa que vinha se negando veementemente a fazer. Depois disso, me pediu daquela forma para que eu fingisse sentir algo por ele.
Lembro que tive que usar bastante do meu auto-controle para não mostrar, de verdade, tudo o que eu sentia por ele. Não sabia quem tinha sido a pessoa que havia lhe dado a impressão de que ele não era importante, mas gostaria imensamente que ele não acreditasse no que quer que o tenham dito.
Bem, talvez eu não tenha sabido mostrar a ele que ele era importante. Mas se assim fosse, acredito que ele não permaneceria no meu quarto comigo depois. Foi só quando eu pedi para que ele ficasse que algo pareceu mudar dentro de sua cabeça, então ele tinha que ir embora.
Eu n
ão sabia por que ele havia feito aquilo. Mas o que quer que fosse, me deixou um pouco mais triste do que deveria.
Assim, eu tinha certeza que não o veria aquele fim de semana.
…
Aquele sábado foi tedioso e desagradável.
Queria não ter me levantado tão cedo da cama, assim teria menos tempo para ouvir as perguntas de Angela e Jéssica sobre Edward.
- Você acha que ele vai vir aqui hoje?
- Não.
- Por que não?
- Porque não acho, Jéssica. Só por isso.
Essa era a razão, pura e simples, e eu queria que ela parasse de tocar nesse assunto, porque me incomodava imensamente saber que ele não viria e, mais ainda, não entender o motivo pelo qual ele queria distância de mim.
- Ele pagou pela sua semana! Com certeza ele deve gostar de você.
- Não, Angela. Ele só tem uma proteção esquisita comigo.
- A semana toda, Bella! Isso não é proteção.
- Se ele gostasse de mim, ia querer ficar por perto. - Como ele disse que faria, pensei – Ele não vem.
Não sei há quanto tempo elas tinham na cabeça aquela idéia ridícula de que Edward poderia gostar de mim, mas eu queria arrancar esse pensamento delas à força, se fosse preciso. Eu não precisava de bobagens na minha própria cabeça me dando esperanças para, depois, quebrar a cara, e estava feliz comigo mesma por sequer considerar a possibilidade de isso ser uma verdade.
- Ainda acho que ele vem – Começou Jéssica.
- Eu também, – Completou Angela – e talvez te leve pra ir a algum lugar.
As duas se olhavam e davam risinhos agudos como meninas pré-adolescentes falando de rapazes, enquanto eu tentava ignorá-las, arrumando um pouco meu quarto.
- Eu queria um Edward pra mim. – Falou Jéssica, agarrando-se a um dos travesseiros como se ele fosse um homem.
- E quem não queria? – Angela provocou, deixando-se cair pesadamente na cama.
- Ei, acha que ele vai comprar um presente pra Bella?
Angela pareceu ver o Papai Noel em pessoa.
- Oh, meu Deus! Será que ele vem trazer o presente adiantado hoje?
As vozes e os risos das duas atingiram uma oitava audível apenas por cães, e a excitação de ambas estava me dando nos nervos. Porque eu sabia que elas estavam muito animadas à toa, e eu não queria que elas me animassem assim.
- ELE NÃO VAI VIR! – Gritei, sobrepondo minha voz às vozes delas.
Angela e Jéssica olharam-me espantadas, sem sorrir agora, enquanto um silêncio constrangedor instalava-se no ambiente.
Suspirei, tentando ficar calma.
- Desculpem.
- Tudo bem – Angela disse, levantando-se e puxando dos braços de Jéssica o travesseiro que ela ainda mantinha apertado – Você parece querer ficar sozinha. Vamos te dar um pouco de privacidade.
- Não fiquem chateadas comigo, por favor. Eu só não quero que vocês acreditem nisso. Ele não .vem.
- Não estamos chateadas – Angela falou, e felizmente eu consegui acreditar no seu tom de voz – Mas você deveria se deixar acreditar em milagres. Às vezes, um pouco de esperança é a única coisa que nos resta.
Dizendo isso, saiu do quarto com Jéssica em seus calcanhares, deixando a porta aberta.
Talvez ela estivesse certa. Talvez esperança fosse a única coisa com a qual eu pudesse contar, mas eu temia o tamanho da queda se eu acreditasse que podia voar.
De qualquer forma, no final das contas pude constatar que eu não estava totalmente errada.
Ele não apareceu.
…
- Vamos ao shopping!
A voz entrou em meu quarto rápido demais para meu raciocíno lento, enquanto eu deixava o livro de lado na cama e tentava identificar quem havia acabado de praticamente arrombar minha porta.
- Ah, estou bem aqui, Angela. Te acompanho outro dia.
- Bella, não foi uma pergunta. E não há “outro dia”, preciso comprar seu presente.
- Não precisa não!
- Qual é, Bella – Interrompeu Jéssica, entrando no quarto tão rápido quanto Angela. – Deixa de ser desanimada, vamos passear!
- Vocês não vão comprar nada pra mim!
- Ei, você não manda na gente. Agora, levante-se e se vista. Nós duas já estamos prontas, e você está atrasando a programação do nosso domingo feliz.
- Eu realmente prefiro…
- Você não tem nada pra fazer aqui, Bella!
Vi a cutucada discreta de Angela no braço de Jéssica. Lembrei de como as duas estiveram felizes por ontem, pensando que eu receberia a visita de uma certa pessoa. Talvez estivessem se sentindo culpadas porque achavam que me fizeram acreditar nos devaneios delas, e de certo modo me agradou saber que aquele assunto não surgiria em nossas conversas hoje.
- Podemos pegar um cinema.
- É, tem alguns filmes em cartaz que parecem ser legais. Acho que todas nós optamos por uma comédia, certo? – Jéssica perguntou.
- Sim! – Angela respondeu pelas três. – Bella, ainda estamos te esperando aqui.
Certo. Elas não me deixariam mesmo em paz.
- Ok. Vocês compram os presentes que eu escolher, certo?
- Não vale escolher algodão-doce e ímãs de geladeira. Vamos te dar presentes de verdade!
Droga. Elas me conheciam.
- Vamos te dar dez minutos para se trocar, e se nós voltarmos e você ainda estiver de pijamas, se prepare para a fúria de Jéssica Stanley.
Prendi o riso com a imagem que me veio à cabeça de uma Jéssica minúscula fazendo ameças e me dando soquinhos de criança.
Assim, como ordenado por Angela e Jéssica, fui às compras no início da tarde de domingo. Tentei escolher presentes baratos e sem importância, alegando que “uma lembrancinha já estava bom”, mas elas se negaram veementemente a aceitar minha atitude, e no final do dia estávamos, as três, na fila do cinema enquanto eu carregava um par de botas longas e pretas e uma bolsa de couro marfim.
Vimos uma comédia com atores famosos, e não sei se era o meu estado de espírito, mas o filme era um tanto quanto sem graça. Mesmo assim, foi uma distração útil para tirar da minha cabeça a única coisa na qual eu vinha pensando desde o início daquele domingo.
Ele.
Não que eu tivesse de fato começado a acreditar nas ilusões de Jéssica e Angela sobre Edward, mas eu ainda estava incomodada com a atitude dele de fugir de mim. E o que mais me incomodava era que eu não conseguia entender, por mais que me esforçasse, o que diabos eu havia feito para que ele agisse daquela forma.
Seria meu aniversário no dia seguinte, e doeu ter quase certeza de que eu não o veria. De queele não iria me ver. Era até mais aceitável que ele já tivesse esquecido desse detalhe, mas o pior era que, mesmo que ainda lembrasse, o que eu achava improvável, ele me evitaria, assim como fez na noite de sexta-feira.
- Gostou do filme?
- É engraçadinho. – Falei, voltando de meus devaneios.
- Nossa, você tem andado muito rabugenta esses últimos dias. Nada te agrada! O que aconteceu?
Eu deveria contar o que realmente aconteceu? Deveria dizer a elas que eu estou apaixonada por um cliente e que ele parecia querer me evitar?
- Nada. – Menti.
- Mentirosa! – Jéssica esbravejou – Somos suas amigas, pode nos contar.
Eu sabia, elas eram minhas amigas e eu podia contar com elas para conselhos ou simplesmente para desabafar, mas eu não queria dizer a verdade. Não agora.
- Devo estar no meu inferno astral, só isso.
Elas obviamente não acreditaram, e me encheram de perguntas durante todo o caminho de volta para casa. Felizmente, elas não tocaram no nome de Edward, porque eu tinha certeza que se ouvisse o nome dele, entregaria tudo.
Pouco tempo depois, chegamos em casa. Já estava perto das 21h, e eu não tinha fome. Por isso, rumei diretamente para meu quarto, desejando boa noite apenas às minhas duas companheiras de shopping, e me trancando lá.
Amanhã eu teria o dia de folga. Isso era bom, eu não precisaria já voltar à rotina. No entanto, sabia que no dia seguinte, teria que retomar meu papel. Edward não pagaria por mais uma semana minha, eu tinha certeza, então era bom eu já me conformar com a idéia.
Tomei um banho demorado e me deitei na cama, esperando o sono chegar. Não demorou muito, e alguns minutos depois eu já mergulhava em uma total escuridão.
Uma noite sem sonhos. Meu primeiro presente de aniversário.
…
Segunda-feira. Acordei perto das 9h. Demorei um pouco para lembrar que era meu aniversário, e então, depois de notar esse detalhe, resolvi ficar na cama por mais um tempo. Originalmente, minha idéia era sair por aí e não fazer nada específico. Eu não poderia comemorar com as minhas amigas, porque elas tinham que trabalhar. Embora eu pudesse tirar o dia de folga, não seria a mesma coisa para elas. Mas então, decidi que talvez ficar embaixo do cobertor ouvindo música parecia ser uma boa coisa para fazer enquanto esperava aquele dia passar.
O dia não seria muito diferente dos outros. Certo, eu não teria que trabalhar, o que era bastante bom, mas fora isso, eu não via a menor diferença. Eu notava que algumas pessoas se sentiam um pouco mais importantes nos dias dos seus aniversários, mas nunca foi assim para mim, e eu sempre me perguntei o motivo. Talvez fosse bom se sentir mais importante em um único dia dentre os demais do ano.
Fingi continuar domindo mesmo depois das cinco vezes em que ouvi batidas em minha porta e alguém abrindo-a minimamente para checar se eu já havia acordado. Eu não estava desanimada, mas não queria toda a atenção que eu sabia que iria receber no momento em que pusesse os pés no andar debaixo. Não que eu não gostasse das meninas, mas eu simplesmente preferia ficar na minha. E afinal de contas, era só o meu aniversário. Não era como se eu tivesse ganho na loteria ou fosse me casar.
Mas eu não poderia continuar fingindo pelo resto do dia, por isso, às 11:30h aproximadamente, me levantei, tomei um banho e vesti uma roupa casual para sair.
Quando apareci na cozinha, algumas meninas que ali estavam vieram me cumprimentar, me desejando felicidades. Agradeci a todas verdadeiramente contente, enquanto me servia de meio copo de suco de laranja. Alguns minutos depois, só restávamos eu, Jéssica e Angela na cozinha, fofocando sobre assuntos aleatórios.
- Caramba, você acordou muito tarde! Já estamos quase almoçando! – Começou Jéssica.
- Já que hoje é meu aniversário, deveríamos ter alguma comemoração, não é? Por que não almoçamos juntas?
- Ei, gostei da idéia! Tem algum lugar em mente? – Perguntou Angela.
- Não. Vocês podem me ajudar a decidir. – Olhei para o relógio, que marcava 12:15h – Vão se arrumar que saímos daqui a vinte minutos.
- Êêê, festa! – Jéssica exclamou, já pulando de sua cadeira e saindo da cozinha, junto com Angela, e me deixando sozinha ali.
Fiquei pensando no que poderíamos fazer enquanto a noite não chegasse e elas fossem obrigadas a voltar para casa. Jéssica certamente sugeriria shopping, mas como o aniversário era meu e eu podia dar essa desculpa, acabaríamos sentadas, as três, em um bando de parque conversando sobre nossas vidas e tomando sorvete.
- Bella…
Angela entrou novamente na cozinha, ainda vestindo as mesmas roupas.
- Ei, vá se arrumar! Está atrasando a minha festa! – Falei, num tom brincalhão.
- Acho melhor você ir sozinha. Não estou me sentindo muito bem, e Jéssica precisa fazer… uma coisa.
- É. – Jéssica assentiu, do seu lado, com uma cara mais animada do que de costume.
- Que coisa? – Perguntei, suspeitando da atitude das duas.
- Não seja indiscreta. Agora vai logo! – Angela me puxou da cadeira enquanto eu tentava apoiar no ombro minha bolsa.
- Mas.. Vocês vão me deixar ir sozinha? É meu aniversário!
- Sim, vamos. Você vai arranjar algo interessante pra fazer. – Finalizou Jéssica, enquanto ajudava Angela a me empurrar pela porta que dava para os fundos da casa.
Fiquei um pouco chateada pela atitude das duas, mas depois elas teriam que me explicar o motivo daquilo. No momento, se eu continuasse tentando ficar dentro da casa, elas acabariam me chutando para a rua.
Me senti rejeitada e com raiva. Eu sei, havia alguma coisa que elas estavam escondendo de mim, mas mesmo assim, me deixaram sozinha no meu aniversário! Sendo que eu as tinha convidado! Porra!
Passei pela porta que dava para a rua de trás, deserta até mesmo àquela hora, enquanto tentava afastar o sentimento de rejeição das minhas ex melhores amigas, então dei alguns passos pela calçada, olhando o chão, até me dar conta de que eu não estava sozinha.
Subi os olhos e me deparei com um homem de cabelos rebeldes com as mãos no bolso, em roupas casuais – tênis, calças jeans e uma camisa polo preta – encostado em um Volvo prata, me encarando com um sorriso leve nos lábios.
Se eu não o conhecesse, diria que um anjo havia acabado de cair na minha frente.
Mas eu o conhecia. Não só o conhecia, mas não conseguia parar de pensar nele durante esses últimos dias, não conseguia parar de pensar no fato de que eu não o veria no meu aniversário. Por isso, senti uma alegria explosiva quando meu cérebro processou a informação de que era Edward parado à minha frente, sorrindo para mim.
- Oi. – Eu falei primeiro, não sabendo de onde tinha tirado oxigênio para pronunciar alguma palavra – O que está fazendo aqui?
- Você me pergunta muito isso.
- Bom, é porque você aparece em lugares onde eu não espero te encontrar.
Ele sorriu, mais quieto do que costumava agir.
- É que eu não podia deixar de te ver hoje.
Ele lembrou. Ele lembrou! Eu jamais pensei que ele lembraria!
- Te trouxe duas coisas. Um presente e uma lembrança de aniversário.
- Você não…
- Não ouse confundir os dois. – Ele me interrompeu, em um tom de brincadeira, abrindo a porta do Volvo e entrando um pouco para pegar um envelope, me entregando em seguida.
- Esse é o presente.
- Eu não posso aceitar. – Falei categoricamente.
- Você nem viu o que é!
- Não importa, você não devia…
Ele levou sua mão até minha boca, tapando-a com suavidade e me fazendo parar de falar.
- Abre.
Fiquei muito tempo imóvel, encarando-o. Se eu fosse ficar agindo como uma idiota por qualquer movimento que ele fizesse naquele dia, talvez fosse melhor voltar para dentro de casa e não vê-lo mais. Finalmente, saí do meu estado de inércia e abri o envelope.
Sobre minha mão, caíram vários marca-páginas, de tamanhos e cores diferentes, alguns com desenhos e outros com citações. Não pude deixar de abrir um sorriso largo e sincero àquilo, porque foi a coisa mais fofa e atenciosa que alguém já fez para mim.
A alegria que me tomou foi maior do que deveria ser. Aquele presente era maravilhoso, não pelo que realmente era, mas pelo que significava. Edward mostrou um cuidado e uma sensibilidade que eu não podia imaginar. Ele lembrava disso também, e eu fiquei extremamente feliz em saber que ele lembrava desse simples detalhe, porque estava relacionado a mim.
- Obrigada! Foi o melhor presente!
- Não seja mentirosa. – Ele sorriu, debochando do próprio presente.
- Não estou sendo! Eu adorei! Você não faz idéia!
- Ok, ok, vou fingir que acredito. – Ele piscou para mim e eu senti meu rosto ferver. Devia estar vermelha como uma pimenta, mas ele pareceu se divertir com isso, sorrindo ainda quieto com minha vergonha. – Agora, a lembrança.
Novamente, Edward se inclinou para dentro do Volvo e, quando voltou, carregava o maior buquê de flores que eu já havia visto na vida. Era inclusive maior do que qualquer buquê de filmes de romance ou coisa assim. Mas o que chamava mais atenção nele não era seu tamanho – ainda que fosse assustador – mas a variedade de flores que estavam ali. Não era um simples buquê de rosas, ou de margaridas, ou de qualquer flor específica, mas sim de vários tipos delas, uma mais colorida e mais exótica que a outra.
- Você disse que não tinha uma favorita, então agora pode escolher. Foi tudo que eu achei na floricultura. – Ele disse, me entregando o buquê gigantesco. Me movimentei para pegá-lo puramente por instinto, porque meu choque não me permitia pensar.
- O vendedor me deu alguns nomes, você pode associá-los depois.
Dizendo isso, tirou do bolso traseiro um papel dobrado e, desdobrando-o, começou a lê-lo – Aí tem: Hortênsia, azaléa, orquídea, dália, tulipa, gerânio, magnólia, rosa, begônia, camélia, jasmin, crisântemo, lírio, cravo, petúnia, copo-de-leite, violeta, girassol… Bom, e outras. Você pode ler depois. Algumas são um pouco sensíveis à essa época do ano, o vendedor as mantinha em certos compartimentos especiais, então acho que elas não vão durar muito. Faltam muitas, mas acredito que essas são as mais fáceis de achar por aí.
Edward dobrou novamente o papel e colocou-o com cuidado dentro do buquê que eu segurava. Como se esperasse por uma resposta minha, me encarou com as sobrancelhas um pouco arqueadas, enquanto eu permanecia imóvel olhando para ele.
Eu só não tinha reação. Nenhuma. Porque depois de receber um presente daqueles, não há como ter reação imediata. Por isso, fiquei em estado catatônico por mais algum tempo, e isso deve ter incomodado um pouco Edward.
- Então, gostou?
Eu não conseguia falar, mas por algum milagre consegui mover a cabeça um pouco, mostrando-lhe que sim, eu havia gostado. Eu havia amado. Era a coisa mais linda e mais incrivelmente adorável que eu já havia recebido.
- Que bom. – Ele falou, abrindo um sorriso tímido, e eu quis me jogar em cima dele e beijá-lo em todas as partes visíveis. E não visíveis também. Felizmente, eu ainda estava congelada no mesmo lugar, incapaz de fazer qualquer coisa que não fosse encará-lo como uma menina completamente apaixonada.
- Mas essa é a lembrança. O presente é mais importante.
Tudo era importante, o presente e a lembrança. Tudo era incrivelmente lindo, e para falar a verdade, eu tinha minhas convicções de que se Edward tivesse me dado um chiclete de presente de aniversário, eu adoraria de qualquer forma. Tudo o que ele havia me dado era importante e maravilhoso pela sensibilidade, pelo significado e, obviamente, por ter sido ele quem me presenteou.
- Ahm… – Comecei, me forçando a falar alguma coisa antes que ele ficasse irritado e fosse embora pela minha falta de gratidão – O presente… deve ter sido meio… caro.
Devia ter sido extremamente caro. Um buquê de flores convencional já não era nada barato, o que me fazia ter a certeza de que um buquê personalizado, principalmente um que carregava flores sensíveis e menos comuns, devia ter custado muito dinheiro.
- Ah não. Os marca-páginas foram de graça. – Ele falou, sorrindo de novo e fazendo uma cara que mais uma vez me lembrava de não confundir as coisas, mesmo ele sabendo exatamente o que eu quis dizer – Já almoçou?
- Eu? – Testei minha voz, agora tornando-a mais firme – Não, eu ia almoçar com as minhas amigas, mas elas… Elas te viram aqui?
- Eu entrei pela porta da frente e dei de cara com Angela e Jéssica. Aí perguntei por você e disse que estaria esperando aqui.
Bom, isso explicava muita coisa. Mas ele não precisava saber disso.
- Eu estava saindo pra almoçar agora. – Falei.
- E onde estão elas?
- Acho que desistiram. – Eu não tinha uma desculpa boa o suficiente para inventar.
- Bom, então eu posso convidá-la para almoçar? Isso se você preferir uma companhia, porque tem gente que prefere fazer essas coisas sozinho.
- Eu prefiro a sua companhia. – Falei com um pouco mais de intensidade do que devia, o que fez com que ele desviasse seu olhar do meu e olhasse para baixo, suspirando. – Eu… Eu já volto. Vou guardar meus presentes.
- Vou estar esperando.
Deixando essa frase ecoar pela minha cabeça como música, rumei novamente para a porta dos fundos da casa. Antes de entrar, me virei e notei que ele ainda me olhava.
- Obrigada. Mesmo.
Sem esperar uma resposta dele, entrei rapidamente na cozinha e caminhei apressadamente para a sala, querendo chegar o mais rápido possível no meu quarto para deixar os presentes lá. Desejei intimamente que ninguém estivesse na sala para me ver carregando todas aquelas flores. Obviamente, meu desejo não foi atendido, então me deparei com Jéssica, Angela e Rosalie conversando animadamente. Quando elas notaram minha presença, olharam surpresas para mim, então reparei que Angela começava a fazer novamente a cara de “vi-Papai-Noel” e corri antes que ela pudesse fazer ou falar – ou gritar – qualquer coisa.
Peguei um jarro que servia como enfeite em cima do móvel do meu quarto, enchi-o de água e coloquei as flores cuidadosamente dentro, para que elas não morressem ou murchassem até que eu estivesse de volta. Deixei também o envelope com os marca-páginas ao lado do buquê e desci correndo. As três meninas continuavam no mesmo lugar, em cochichos animados entre si, e quando voltei à sala apenas para ir em direção à cozinha e sair pelos fundos outra vez, nem olhei para elas.
Saí pela porta e Edward, notando minha presença, desencostou do carro e abriu a porta do carona para mim. Entrei sem falar nada, ainda agindo mecanicamente, então ele fechou a porta e caminhou para o seu lado, entrando no carro logo em seguida e dando a partida.
- Já descobriu qual delas você gosta mais? – Começou, colocando o cinto e pondo o veículo em movimento.
- Não. Você fez com que eu amasse todas. Vai ser impossível escolher uma agora.
- Não era essa a intenção. Você tem que escolher uma.
- Eu não consigo.
- Eu particularmente acho que camélias combinam com você.
- Por quê?
- As pétalas são de uma perfeição quase hipnótica.
Ele respondeu isso olhando para a rua, enquanto dirigia, como se tivesse falado algo sem importância. Bom, talvez para ele não fosse importante de qualquer forma, mas eu me senti tão maravilhada com sua pequena explicação que novamente tive que me conter para não pular em cima dele, certamente provocando um acidente.
- Tem um restaurante que eu conheço muito bom. Gosta de comida francesa?
Se eu gostava de comida francesa? Como eu ia saber?
- Ahm…
- Esse restaurante fica perto da minha casa, é especializado em comida francesa. E você não vai acreditar nos vinhos de lá.
Eu sequer sabia diferenciar vinhos, e nunca havia provado nada da culinária francesa, mas sabia o suficiente para ter certeza que tudo era bastante caro, principalmente em restaurantes especializados. Principalmente em restaurantes que estavam localizados no bairro em que Edward morava.
É claro que eu tinha minhas economias. Eu conseguia uma quantidade de dinheiro razoável pelos programas, e não era de gastar tudo em shoppings – embora, vez ou outra, sair com Jéssica tenha despertado meu consumismo, me fazendo gastar mais dinheiro do que devia em coisas como lingeries e vestidos – mas eu sabia que se quisesse comer minimamente bem em um restaurante francês, boa parte da minha poupança iria embora. Principalmente porque eu estava faminta.
Além do mais, se tinha algo que eu não precisava agora era de alguma situação que me fizesse sentir incrivelmente inferior e deslocada em relação a Edward, então eu preferia uma refeição que exigisse, no máximo, três talheres, um prato e um copo, e não toda aquela confusão de louças, taças específicas e garfos de três tamanhos diferentes.
- É que… Eu não estava pensando em comida francesa hoje.
- E o que tinha em mente? – Ele me perguntou, me espiando rapidamente enquanto voltava a prestar atenção na rua.
- Uhm… McDonalds®?
- Quê? É seu aniversário, você pretende comemorar em um Fast Food?
- Qual o problema?
- O problema é que hoje é um dia especial, que exige ocasiões especiais. Além do mais, é a comemoração de mais um dia de vida, então eu não vou deixar que você chegue mais perto da morte ajudando a entupir suas artérias com toda aquela gordura.
- Hoje é um dia como outro qualquer. Todos os dias alguém faz aniversário, isso não faz com que todos os dias sejam especiais.
- Você faz aniversário só um dia, então hoje é especial. Por isso, nós vamos comemorar com comida francesa.
- Não vamos!
- E por que não, sua teimosa?
- Porque eu não posso ficar gastando dinheiro com um almoço.
Eu não devia me envergonhar por assumir isso a ele, afinal, era algo natural ter menos dinheiro que Edward. Mas eu me envergonhava.
- E quem disse que você vai pagar?
- Eu estou dizendo!
- Se bem me lembro, eu te convidei. Então eu pago.
- Uma ova. Você já gastou sabe-se lá quanto com as flores.
- Ei, quer me deixar fazer isso direito?
- Não vamos pra esse tal restaurante!
- Ok, façamos um acordo. Nós vamos comer em outro restaurante, um menos extravagante – não o McDonalds® – mas é por minha conta.
Pensei um pouco, analisando a situação.
- Eu escolho o lugar? – Perguntei, esperançosa.
- Claro que não. Você não conhece os restaurantes bons do meu bairro, eu conheço,
- Mas todos os lugares que você considera bons são caros!
- Prometo que vamos em um lugar razoável. Você vai gostar.
Quinze minutos depois, chegamos a um restaurante pequeno e simpático por fora, mas bem mais luxuoso por dentro. Olhei para Edward com um olhar fuzilante enquanto um rapaz nos guiava para uma mesa de dois lugares.
- Você mentiu pra mim. – Falei, enquanto sentava à sua frente.
- Acredite, aqui é bem mais barato.
Quando tive acesso ao menu e aos preços, constatei que tudo era muito caro, então nem queria pensar nos preços de qualquer coisa que fosse servida no restaurante que eu havia vetado.
- Se me permite… – Ele começou, notando minha indecisão e retirando com gentileza o menu de minhas mãos – Sugiro Magret de pato com risoto de laranja, e Poires à Belle Hélêne para a sobremesa.
Fiquei um pouco hipnotizada com o bico que ele fazia ao pronunciar as palavras com sotaque.
- Você tem tara por comida francesa?
- Não é tara, eu só gosto muito. – Ele sorriu.
- Certo. Posso ver uma coisa? – Perguntei, tentando tirar o menu de suas mãos.
- Quer parar de querer controlar o preço? Você vai me fazer parecer esnobe, mas acredite quando eu digo que posso pagar. Aliás, poderia comprar esse restaurante inteiro. Portanto, pare de criar caso.
Suspirei, assentindo de má vontade.
Edward chamou o garçom e passou nossos pedidos. Pedi um refrigerante e recebi protestos dele, que queria escolher um vinho de algum ano especial, mas logo aceitou minha decisão quando eu disse que só beberia se ele me acompanhasse, e como ele estava dirigindo, isso não seria possível.
Quando o pedido chegou à nossa mesa, provei o prato exótico e, como eu imaginava, a sugestão de Edward havia sido perfeita. Eu estava morrendo de fome, mas mesmo assim me contive para não parecer uma troglodita faminta na frente dele, e mastiguei mais devagar do que costumava para conseguir terminar minha refeição depois dele. A sobremesa estava igualmente boa, e quando finalmente meu prato havia esvaziado, me senti satisfeita.
- Então? O que acha do meu gosto?
Tentei responder de imediato, sem pensar no duplo sentido que aquela pergunta tinha.
- Muito bom. De agora em diante posso aceitar suas sugestões sem pestanejar. Devo levar em consideração o fato de você ser um amante da culinária.
- Talvez. – Ele disse, sorrindo – Você cozinha?
- Não agora. Cozinhava antigamente, mas isso tem muito tempo. E não eram coisas assim, exóticas ou interessantes. Eu fazia muito do básico.
- Alguma especialidade?
- Bom… Não é nada demais, mas minha mãe me ensinou um truque para fazer um bolo de cenoura com cobertura de chocolate ficar ainda mais gostoso. Ela sempre elogiava quando eu fazia, mas isso não quer dizer muita coisa.
- É meu bolo favorito. – Edward falou de uma forma simples, sorrindo – Vou provar sua receita algum dia?
Encarei-o por algum tempo, apenas admirando-o, e eu não sabia se havia pronunciado a resposta em voz alta ou se estava só divagando.
Se depender de mim, você pode provar minha receita todos os dias.
Edward me encarava de volta com um sorriso tímido nos lábios, mas algo dentro dele pareceu ter sido acionado, fazendo com que ele ficasse repentinamente sério e desviasse seu olhar do meu. Não era a primeira vez que ele fazia isso, e eu me perguntava o motivo.
Olhando para os lados, ele chamou o garçom e pagou o almoço, não me permitindo saber quanto tinha sido. Saímos do lugar rumo ao Volvo prateado do outro lado da calçada.
- Bom, eu tenho que ir. Vou levá-la em casa. – Disse, abrindo a porta do carro para mim.
- Não… Só vou pra casa de noite, mas se você me deixar por perto eu agradeço. – Sentei, mas ele continuou segurando a porta aberta.
- E vai ficar fazendo o que até lá? São 13:30h.
- Vou ficar por aí. – Respondi com sinceridade. Eu não sabia para onde ia ou o que faria durante todo aquele tempo, mas eu quase nunca sabia desses detalhes quando saía da Casa de Tanya para ficar sozinha e pensar, então já estava acostumada a improvisar.
Edward outra vez desviou o olhar, pensando por algum tempo enquanto olhava em volta desinteressado nas pessoas que caminhavam. Finalmente, fechou minha porta e entrou no carro, dando novamente a partida.
- Você vai trabalhar? – Comecei.
- Não. Tirei o dia de folga. – Ele respondeu, sério, enquanto encarava a rua.
- Por quê? Não estava se sentindo bem?
- Por que é o seu aniversário. – Ele falou depois de algum tempo em silêncio, provavelmente ponderando as palavras e se perguntando se deveria ou não falar aquilo.
- Olha, não precisa se preocupar, eu não confundo as coisas.
Edward me olhou, interrogativo, então eu continuei.
- Parece que você está com medo que eu pense que as suas atitudes sejam mais do que realmente são. Não vou confundir as coisas, então não precisa medir suas palavras. Não se preocupe, eu sei… Bom, eu sei o que não é.
- Você sabe? – Ele me olhou, agora por um bom tempo.
- Sei.
Eu queria tranqüilizá-lo, porque algumas de suas atitudes mostravam claramente o quão desconfortável ele estava. A idéia me veio de repente, mas foi certeira, e eu não sei por que não havia pensado nisso antes. Foi por isso que ele fugiu de mim na última noite que dormimos juntos, e era por isso que ele se afastava e desviava nossos olhares toda vez que uma ligação era feita entre eles. Ele temia que eu estivesse entendendo errado do que se tratava seu instinto protetor, que eu achasse que ele estava interessado em mim.
Eu poderia deixar claro que aquela idéia era muito absurda para que qualquer um acreditasse, mas ele pareceu entender.
- Que bom que você sabe.
Não entendi a ênfase que ele empregou no “você”, mas não quis aborrecê-lo. Ele parecia um pouco preocupado, talvez com algo do trabalho. Virei para a janela e observei a paisagem pela primeira vez.
- Nunca estive aqui. É algum atalho?
- Não, é um caminho. Vou te levar em um lugar. – Ele respondeu, ainda sério, olhando para frente.
- Mas você não disse que tinha que ir?
- Disse.
Ele não me deu mais explicações, e eu não perguntei. Estava bastante claro que ele não queria conversar, por isso ficamos em silêncio por aproximadamente meia hora durante todo o caminho que levava ao lugar misterioso.
Quando finalmente chegamos, Edward estacionou o carro em algum tipo de estacionamento onde alguns outros carros também estavam. Saí e notei que, em volta, não havia muito mais para ser visto: Um estacionamento razoavelmente grande e, à nossa frente, um espaço amplo de grama cortada que sumia em um tipo de precipício. Devia ter mais coisas depois daquela descida, mas eu não podia ver.
- Vamos? – Ele perguntou, se dirigindo exatamente para o declive.
Parei de analisar o lugar e o segui, então algum tempo depois pegamos um tipo de atalho em que podíamos caminhar até aquela descida. Quando finalmente chegamos um pouco abaixo, notei onde Edward havia me trazido.
O lugar era praticamente um mirante de toda a cidade que se expandia lá embaixo. Eu agora estava em um campo muito aberto coberto por grama, onde vários grupos de pessoas admiravam a paisagem e conversavam entre si. O lugar não estava cheio, mesmo porque para enchê-lo, muitas pessoas seriam necessárias. Ao invés disso, os grupos sentavam-se em toalhas ou no chão mesmo, afastados por vários metros de distância uns dos outros. Famílias, casais e amigos, ali era um lugar extremamente relaxante, que dava uma visão privilegiada do muito que havia para ver daquele lugar.
Demorei um pouco para perceber que Edward havia sentado na grama, exatamente ao meu lado, apoiando o corpo nos braços e deixando-se queimar pelo mormaço muito suave, de olhos fechados. Aproveitei seu momento de meditação para admirá-lo um pouco, ainda em pé, então sentei ao seu lado, de pernas cruzadas, olhando a paisagem.
- O que achou?
- Lindo.
- Sempre venho aqui quando estou preocupado com alguma coisa ou quando quero pensar. É um ótimo lugar pra fazer isso.
- Então você sempre vem sozinho?
- Sim. Você é a primeira pessoa que eu trago aqui.
Fitei-o por algum tempo, então virei novamente para a imensidão abaixo de nós, repleta de casas, ruas e prédios altos.
- É mesmo lindo.
- Você precisa ver como fica de noite. É mágico.
- Eu imagino.
As nuvens que antes pareciam se decidir em cobrir ou não o sol agora bloqueavam completamente os raios solares, deixando-nos com um clima nublado e agradável. Agradeci intimamente por isso, já que eu não havia trazido filtro solar. Me permiti relaxar e deitei de costas na grama, fechando os olhos e deixando o vento fresco tocar minha pele de uma forma suave, bagunçando um pouco os meu cabelos.
Era incrível. Aquele lugar trazia uma sensação de paz forte demais para não se deixar levar. Tudo era convidativo, e eu tinha certeza que a momentânea felicidade que saltitava como pipoca dentro de mim tinha também a ver com a presença do homem que permanecia ao meu lado.
Abri os olhos e me assustei com ele me encarando intensamente.
- Que foi?
Ele balançou a cabeça, como se dissesse que não era nada. Edward ainda estava sério, mas eu queria que ele também relaxasse, assim como eu.
- Pode falar… Eu já disse que você não precisa medir as palavras comigo.
Ele continuava me encarando, como se dentro dele milhões de pensamentos borbulhassem e ele tentasse organizá-los.
- Não vai me dizer?
- Você é muito linda.
Meu coração deu um solavanco sem querer, e automaticamente perdi a respiração.
- Brigada… – Falei, depois de algum tempo tentando puxar oxigênio para dentro e finalmente conseguindo.
Ele suspirou, então se deitou ao meu lado na mesma posição que a minha, encarando o céu nublado.
Ficamos ali por muito tempo. Conversamos sobre bobeiras e retomamos nosso jogo de perguntas e respostas, tentando conhecer mais um do outro. Descobri que ele odiava ostras, que não sabia assoviar e que queria ter duas filhas e um filho. Contei a ele que eu gostava muito de gatos, que meu sorvete preferido era flocos e que não gostava de filmes de terror, porque morria de medo de escuro. Entramos em discussões sobre assuntos nada importantes, onde ele tentava me apresentar provas concretas de que a galinha veio antes do ovo e onde nossas idéias divergiam sobre a realidade paralela formada pela viagem de Marty McFly e do Dr. Brown em De Volta Para o Futuro II.
Durante todo esse tempo, senti a tensão de Edward diminuindo gradativamente, mas nunca desaparecendo por completo. Ele ainda mantinha uma barreira invisível mas muito concreta entre nós, não me permitindo chegar muito perto dele e não se permitindo ser ele mesmo.
Quando dei por mim, já havia começado a escurecer. Olhei o relógio que marcava um pouco depois das 18h, então me mantive sentada e prestei atenção no lento ligar de luzes das casas, prédios e avenidas lá embaixo. Em pouco tempo, a cidade parecia um emaranhado de pequenas lâmpadas coloridas.
Edward estava certo. Era mágico.
Contive a vontade adolescente que me tomou de pegar sua mão, repousada no chão ao meu lado, e ficar em silêncio enquanto o céu escurecia completamente. Contive essa vontade porque eu sabia que isso seria passar dos limites, e ele certamente se afastaria e voltaria a adotar a postura tensa do início daquela tarde.
Eu sabia que ele não tinha nenhum interesse real em mim, e se eu quisesse que aquela relação funcionasse, não podia deixá-lo saber que eu estava completamente apaixonada por ele. Porque essa era a verdade.
Eu estava apaixonada. Completamente apaixonada. E tudo seria lindo se isso fosse correspondido. E tudo seria perfeito se eu não fosse o que eu era.
- Esqueci de avisar, nessa época do ano a noite fica um pouco insuportável aqui.
Foi só quando ele falou que eu me dei conta de que estávamos cercados por mosquitos que insistiam em zumbir nos nossos ouvidos. Levantei-me ao mesmo tempo que ele, o que indicava que nosso dia havia chegado ao fim.
O dia mais lindo de todos.
Entramos no carro e Edward dirigiu calmamente de volta pela estrada cheia de curvas. A volta foi rápida demais, então em pouco tempo já estávamos chegando à rua estreita e deserta que dava para os fundos da Casa de Tanya.
Quando chegamos, saí do carro logo depois dele e esperei. Esperei por várias coisas, embora eu sabia que era melhor não criar expectativas. Mas era tarde, elas já estavam criadas.
Esperei por um abraço de feliz aniversário. Esperei pela notícia de que ele pagaria pela minha semana outra vez. Esperei uma despedida ideal. Mas eu sabia que nada disso aconteceria.
- Ei… – Comecei, tentando colocar um tom casual em minha voz – Você não me deu os parabéns.
Imediatamente após dizer essas palavras, me arrependi, temendo que ele as tomasse como ingratidão. De fato, eu não precisava de um “Feliz Aniversário” vindo dele, porque ele havia me proporcionado o melhor aniversário da minha vida.
Mas ele não ficou chateado.
- É verdade. – E dizendo isso, me olhou profundamente. Um olhar tão intenso que eu podia sentir as ondas de calor e eletricidade que se chocavam entre nós. Fiquei presa naquele olhar por um tempo que eu não poderia medir, e então senti um toque em minha mão direita, caída ao lado do meu corpo.
Sem tirar seus olhos dos meus, Edward trouxe minha mão para cima e deixou um beijo suave e demorado ali. Fiz uma força sobre-humana para que meu corpo não tremesse como gelatina, então ele retirou os lábios de minha pele e continuou segurando minha mão na dele.
- Feliz aniversário, Bella. Que muitos ainda estejam por vir.
- B-brigada.
- Espero que tenha se divertido hoje.
Sem esperar por uma resposta minha, ele soltou gentilmente minha mão e se virou, caminhando de volta para o carro, e dando a partida, foi embora.
Fiquei imóvel no mesmo lugar, olhando para o ponto no final da rua que o Volvo havia desaparecido, sentindo um leve formigamento no lugar onde ele havia deixado aquele beijo. Finalmente saindo de meus devaneios, entrei pelos fundo e fiquei aliviada em ver que a cozinha estava deserta. Passei pela sala onde já havia algumas meninas, mas não dei importância a nenhuma delas. Fui direto para o quarto e me tranquei lá.
Aquele tinha sido o melhor dia da minha vida. O fato de ser meu aniversário era apenas um detalhe. Ele passou o dia inteiro comigo. Ele escolheu pela minha companhia, embora não estivesse totalmente confortável com isso. Ele havia me dado um presente lindo, que agora chamava toda a atenção do meu quarto.
Sem pensar, fui até o vaso e tirei, do meio das flores, o papel com a lista das diversas espécies que ali estavam. Deitei de bruços na cama e li uma por uma, tentando identificá-las. Depois de muito tempo nesse jogo, finalmente dobrei novamente o papel, pronta para guardá-lo em uma das gavetas e estudá-lo depois, mas ao encarar uma das quatro partes do verso do papel, fui pega de surpresa por algo escrito a lápis.
A letra, embora parecesse estar ali por rascunho, era bonita e imponente, diferente da lista que trazia os nomes das flores, então imediatamente entendi que aquela caligrafia só poderia ser de Edward.
Desdobrei novamente o papel, para poder ler a frase inteira.
Era uma citação. Uma citação que não fazia sentido estar ali.
Não fazia sentido…
“Um covarde é incapaz de demonstrar amor. Isso é privilégio dos corajosos.” Mahatma Gandhi