Capitulo 4 - Clareira
Jan 21
Entre provas de roupas e reuniões
de produção, eu o procurava com o olhar. Mas eu não o vi durante todo o dia.
Cheguei em casa sem saber se ele apareceria ou não. Apenas porque estava
preocupada com os ensaios, claro. As gravações começariam dali a poucos dias e
lá se iam as oportunidades de colocarmos o texto em ordem. Liguei a TV e estava
passando um filme antigo. Era interessante. Mas minha mente estava longe…
Cansada de tentar entender a história, eu desliguei a TV e peguei o roteiro.
Se Rob não ia aparecer pra trabalhar, que se danasse. Eu não iria levar bronca por causa dele. Mas as letras dançavam na minha mente e eu devo ter adormecido, pois acordei de repente com o som incessante da campainha; Olhei o relógio. Era tarde. Mas eu sabia quem era. Era muita cara de pau bater na minha porta aquela hora, mas mesmo assim eu levantei cambaleante e abri a porta. Ele sorriu. Deslumbrante, foi a palavra que veio a minha mente. Desta vez, estava sem aquela toca ridícula e os cabelos dançavam rebeldes ao vento. Suspirei, nem sei porque. Eu estava brava? Certamente que estava. Mas bem lá no fundo havia a constatação incômoda de que eu estava ridiculamente feliz por ele ter aparecido. Claro que eu devia estar contente. Era pelo trabalho. Chega de noites improdutivas.
Se Rob não ia aparecer pra trabalhar, que se danasse. Eu não iria levar bronca por causa dele. Mas as letras dançavam na minha mente e eu devo ter adormecido, pois acordei de repente com o som incessante da campainha; Olhei o relógio. Era tarde. Mas eu sabia quem era. Era muita cara de pau bater na minha porta aquela hora, mas mesmo assim eu levantei cambaleante e abri a porta. Ele sorriu. Deslumbrante, foi a palavra que veio a minha mente. Desta vez, estava sem aquela toca ridícula e os cabelos dançavam rebeldes ao vento. Suspirei, nem sei porque. Eu estava brava? Certamente que estava. Mas bem lá no fundo havia a constatação incômoda de que eu estava ridiculamente feliz por ele ter aparecido. Claro que eu devia estar contente. Era pelo trabalho. Chega de noites improdutivas.
-Ora, ora, quem apareceu – exclamei
irônica Ele deu ombros
-Antes tarde do que nunca.
-Achei que fosse melhor do que
frases feitas… – minha atenção foi para um carro parado na minha porta. Era
prata e era… Um volvo?Eu o fitei espantada.
-O que é isto?
-Eu roubei.
-Engraçado! Por acaso isto não é o
mesmo da produção é?
-Por acaso é. Mas e daí?
-Rob, como conseguiu pegar isto?
Ficou maluco?
-Peguei emprestado… ou algo assim.
Vou te levar em um lugar. Cadê o roteiro? – disse ele.
-Esta aqui em algum lugar.
-Então vá pegar.
-Eu não vou a lugar nenhum com
você.
-Vai sim.
-Rob, estou falando sério. É tarde
e…
-Mas nós vamos trabalhar. – Eu
levantei a sobrancelha incrédula. -Vamos Kristen.
-Quer mesmo que eu acredite em você?
-Quer mesmo que eu acredite em você?
-Não falei pra pegar o roteiro?
-Ok, mas é bom que não esteja de
brincadeira. – Eu voltei correndo e peguei o roteiro que tinha deixado jogados
de qualquer jeito no chão.
-Entra – ele falou abrindo a porta
do carro pra mim. Eu entrei, uma estranha sensação de irrealidade me dominava.
Pior que não era de hoje. Era desde que eu pisara em Oregon. Ou seria desde que
comecei a ensaiar com Robert? Ou tentar ensaiar seria a palavra adequada. Eu o
fitei de soslaio. Ele cantava uma música, os dedos tamborilando no volante. De
repente ele me fitou e sorriu um daqueles sorrisos de lado e eu tive a
necessidade fremente de falar alguma coisa bem neutra.
-Você não acha que o roteiro esta
muito diferente do livro?
-O que?
-O roteiro. Está diferente. Acha
que as pessoas vão odiar?
-Elas já me odeiam mesmo – falou
casualmente. Claro que eu sabia do que ele estava falando. Os fãs não foram
muito simpáticos com ele até agora.
-Duvido que odiarão por muito
tempo. Você tem este efeito sobre as pessoas.
-Que efeito?
-Como se não soubesse.
-Não sei não. – Ok, ele estava me
provocando. Mas eu também sabia que ele não podia ser tão indiferente como
tentava aparentar sobe o fato de muitos fãs não gostarem dele como Edward. Mas
o que eu podia dizer pra convencê-lo? Você é tão lindo quanto qualquer vampiro
imortal? Não. Era melhor não dizer nada.
-O que fez hoje? Não te vi – mudei
de assunto.
-Fono. Para sotaque americano – ele
respondeu sem o sotaque inglês. Era estranho. Já estava acostumada com aquele
sotaque, que pra ser sincera era bem charmoso.
-Esta razoável – caçoei. Ele apenas
riu e parou o carro.
-Onde estamos?
-Adivinha. – Eu saí do carro e
reconheci uma das locações pelas placas indicativas Rob segurou minha mão, me
puxando para dentro da cerca amarela de proteção.
-A gente deveria estar aqui? – eu cochichei,
ele acendeu uma lanterna na minha cara.
-A pergunta seria: podemos estar
aqui?
-Que seja… – falei preocupada. –
Podemos?
-Acho que não. Mas quem se importa? – Mais uns passos e estávamos na clareira. A Clareira do Edward. Que aquela hora parecia um breu. Eu ri
-Esta brincando não é?
-Acho que não. Mas quem se importa? – Mais uns passos e estávamos na clareira. A Clareira do Edward. Que aquela hora parecia um breu. Eu ri
-Esta brincando não é?
-Na sua casa não estava rendendo
mesmo.
-Tenho que concordar com você. – Ele deitou e acendeu um cigarro. Eu fiz o mesmo. Quer dizer, tirando a parte do cigarro.
-Tenho que concordar com você. – Ele deitou e acendeu um cigarro. Eu fiz o mesmo. Quer dizer, tirando a parte do cigarro.
-A quanto tempo você fuma? –
perguntei curiosa.
-Nem sei – Eu virei, apoiando minha
cabeça na mão.
-Não sei nada sobre você – falei
surpreendendo a mim mesma. Não sei porque, mas de repente eu estava muito
curiosa sobre ele.
-O que quer saber?
-Sei-lá. Qualquer coisa – Ele ficou
em silêncio por alguns instantes.
-Minhas irmãs me vestiam de mulher
e me chamavam de Cláudia quando eu era criança – Eu ri.
-Fala sério!
-Mas é sério – Eu comecei a
gargalhar, deitando no chão como ele.
-Sua vez – ele falou. Eu fechei os
olhos. Era realmente muito bom estar ali, no escuro, apenas os sons da noite
nos acompanhando, e a fumaça do cigarro no meu nariz. Eu tossi e ele riu.
-Pelo amor de Deus, Robert, apaga
isto! – Ele riu ainda mais, mas apagou o cigarro.
-Satisfeita?
-Bem melhor assim. Suas namoradas
não reclamam disto não?
-Namoradas? No plural? – Eu dei de
ombros.
-Não sei… pode até ser. Diga-me
você. – Falei.
-Diz você primeiro. Quantos namorados?
-Diz você primeiro. Quantos namorados?
-Um só.
-Não imaginei que fosse tão
provinciana. -Eu soquei o ombro dele.
-Está pensando que eu sou o que? Só por que nasci e cresci em Hollywood devo ser maluca? Está vendo programas de fofoca demais!
-Está pensando que eu sou o que? Só por que nasci e cresci em Hollywood devo ser maluca? Está vendo programas de fofoca demais!
-Estava brincando, Kristen.
-Eu só queria deixar isto claro!
-Esqueci que tem 17 anos, nada de
bebidas e drogas e.. garotos.
-Pula a parte dos garotos – eu não
resisti.
-Oh oh – ele riu malicioso.
–Garotos são permitidos.
-Um garoto apenas.
-Como falei, bem provinciana… há
quanto tempo vocês estão juntos? – ele indagou pegando o maço de cigarro. Mas
antes que ele conseguisse pegar, eu arranquei da mão dele e botei no bolso do
meu jeans
-Quase dois anos – respondi,
ignorando a cara feia dele, mas como era de praxe, ele não ficou bravo por mais
de alguns segundos.
-Uau. É muito tempo.
-Uau. É muito tempo.
-Você mesmo disse, sou
“provinciana” – falei imitando seu sotaque inglês.
-A vida é curta pra ser provinciana,
Kristen.
-Cala a boca, Cláudia. – Nós rimos
até cairmos no silêncio. E eu me vi pensando sobre o que ele tinha dito. Será
que eu era mesmo uma pessoa que não aproveitava a vida? Me sentei, sentindo-me
incomodada.
-O que foi? – perguntou num tom
preguiçoso. Eu abracei os joelhos junto ao corpo, sentindo frio pela primeira
vez na noite.
-Acha mesmo que sou assim?
-Acha mesmo que sou assim?
-Assim como?
-Provinciana… – Ele sentou-se ao
meu lado.
-Você pode ser o que quiser,
Kristen.
-Não quero ser como os outros.
-Não precisa ser – Ele afastou uma
mecha dos meus cabelos, os dedos permanecendo no meu rosto.
–Não sei porque luta pra ser comum,
quando nasceu pra se sobressair – Talvez fosse a escuridão, mas a proximidade
dele me deixou nervosa. Ou temorosa, ou algo assim. Algo que eu nem queria
analisar. O que eu sabia era que alguma coisa dentro de mim gritou para que me
afastasse dele e foi o que eu fiz, deitando de novo na grama fria. Ele deitou
ao meu lado.
-Acho que esquecemos o roteiro em algum lugar – ele riu, aquele riso contagiante. E de repente eu ri também, a tensão passando como se nunca tivesse existido. E eu percebi que não existia outro lugar do mundo que eu gostaria de estar naquele momento. Ao lado daquele inglês de cabelos bagunçados e riso fácil. Que fumava feito uma chaminé, mas era capaz de fazer com que eu me sentisse a pessoa mais corajosa do mundo.
-Acho que esquecemos o roteiro em algum lugar – ele riu, aquele riso contagiante. E de repente eu ri também, a tensão passando como se nunca tivesse existido. E eu percebi que não existia outro lugar do mundo que eu gostaria de estar naquele momento. Ao lado daquele inglês de cabelos bagunçados e riso fácil. Que fumava feito uma chaminé, mas era capaz de fazer com que eu me sentisse a pessoa mais corajosa do mundo.
Talvez ele tivesse razão e eu
estivesse desperdiçando algo vital. Ao lado dele tudo parecia tão fácil… e
talvez fosse. Ele estendeu o braço e sem falar nada, eu deitei minha cabeça em
seu ombro contemplando o céu nublado e sem estrelas acima de nossas cabeças.
-Kristen?
-Hum?
-Nunca mude. Eu gosto de você
assim.
Eu sorri e fechei os olhos Me
sentindo feliz demais. Ou algo assim.

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