
Capitulo 6
Edward’s POV
- Você me ouviu. Vai fazer as reuniões em meu lugar. Não estou com disposição para ir até aí.
- Senhor Cullen, eu sou apenas…
- Uma secretária, eu sei. Mas, no momento, eu estou te dando o poder de decidir tudo por mim. Nós dois sabemos que você toma conta dessa empresa muito melhor do que eu. Conseqüentemente, sabe melhor do que eu o que é bom ou ruim para os negócios.
- Mas senhor…
- Estou contando com você, Victoria. Sei que vai se sair bem.
Ela hesitou.
- Tudo bem. Vou fazer meu melhor.
- Obrigado.
E desligou.
Eram 10h da manhã, e eu ainda estava na cama.
Merda. Estava entrando em depressão de novo. Minha falta de ânimo tinha melhorado nos últimos dias, mas parecia voltar com força total.
Eu ficaria naquela cama o dia inteiro. Talvez ligasse a TV, quando cansasse de olhar para o teto. Talvez dormisse de novo. Não sei. Só sabia que não queria me levantar.
Infelizmente, a fome chegou a mim com mais rapidez do que eu pensava. Cozinhei alguma coisa com queijo e presunto e fui comer na cama, assistindo ao noticiário.
O dia foi incrivelmente monótono. Vazio. Duas, três, cinco horas se passavam sem que eu fizesse absolutamente nada.
Resolvi checar meus emails, para ler alguns contratos e adiantar um pouco do trabalho que me esperava amanhã.
Um dos emails era de Victoria. Dizia que as reuniões haviam corrido bem, e que grande parte dos problemas estavam se resolvendo.
- Santa Victoria. – Murmurei.
Li nove ou dez contratos, sem muito interesse, com a esperança que a noite chegasse. Mesmo sem interesse, perdi a noção do tempo, e a noite chegou. Quando dei por mim, já eram 23:30h.
E, como uma criança prestes a viajar para o Pólo Norte no Natal, eu me vesti para ir à Casa de Tanya.
…
Cheguei ao recinto, o ambiente um pouco mais lotado do que o normal. Claro, essa era a hora que mais clientes iam se divertir.
Caminhei pelo salão, procurando por Isabella. Ao invés disso, encontrei Tanya, próxima ao bar.
- Olá.
- Edward, querido! Onde esteve ontem? Por que não veio?
Eu havia ido, mas a única pessoa a me ver foi Vanessa. Como não queria dar muitas explicações, menti.
- Estava muito ocupado ontem.
- Fico feliz que não esteja hoje. Já escolheu sua acompanhante?
- Quero Isabella. Onde ela está?
- Oh, Isabella já está com um cliente.
- MAS QUE MERDA!
Tanya me olhou com curiosidade. Tentei me recompor, passando a mão nos cabelos.
- Também vai ficar a noite inteira com esse?
- Não, ela já deve estar descendo. Mais uns cinco ou dez minutos.
- Vou esperá-la então. E, Tanya, se tiver algum esquema de agendamento, me coloque como o próximo da fila para ela. – Pelo amor de Deus, que dificuldade era ficar com aquela garota!
- Ela é tão boa assim? – Perguntou, surpresa.
Não respondi. Pedi uma dose de whisky e bebi, sem prestar atenção em mais ninguém.
- Ah, ali está. O cliente dela já saiu do quarto.
Vi um homem de meia idade, grande. Metade forte, metade gordo, e um pouco suado. Tive realmente pena de Isabella.
O homem veio em nossa direção. Alcançando-nos, dirigiu-se à Tanya e falou, com uma voz animada.
- Minha cara, que maravilha você tem ali. A boquinha dessa é um paraíso. – E, olhando para mim, sorriu, já indo embora.
Não sei por quê, mas senti uma raiva quente borbulhando dentro de mim como leite fervendo. Raiva daquele homem, raiva do seu sorrisinho amarelo, raiva por saber que Isabella teve que aturá-lo.
- Mais um whisky. – Ordenei à menina do bar.
- Edward, daqui a pouco Isabella vai descer. Vou tomar conta dos outros clientes. Não sentirá minha falta, não é?
- Não, Tanya. Fique à vontade. – Disse, dando um gole na dose de bebida que acabava de ser posta na minha frente.
Então ela se afastou, me deixando sozinho no meio do salão.
Analisei silenciosamente os homens daquele ambiente. Isabella havia me dito que atendia a dez clientes por noite. Dez clientes do tipo do homem que acabara de sair? Ou dez clientes do meu tipo?
E por que eu achava que ele e eu éramos diferentes em algo? Nós dois pagávamos por sexo. Nós dois éramos patéticos e infelizes. Comíamos garotas de programa porque era fácil, porque o dinheiro ajudava. Porque fugíamos da vida medíocre que levávamos, sem amor, sem ninguém…
Senti uma mão fraca me tocar no ombro direito, e, virando-me, encontrei Isabella.
A primeira coisa que notei foram duas marcas em cada canto de sua boca. Duas marcas vermelhas, que chegavam até suas bochechas. Depois, reparei nas olheiras. Reparei também que ela tinha um corte em uma das maçãs do rosto. Embora o corte não fosse profundo, contrastava visivelmente com o tom de sua pele.
Seus cabelos, agora molhados do provável banho que tomou, estavam soltos, mas mesmo assim consegui ver muitas marcas em seu pescoço, em maior número e mais escuras que da última vez que eu a havia visto. Ela vestia uma blusa verde de manga até os pulsos, uma calça jeans e um sapato qualquer. Ainda assim, via marcas também nas costas de suas mãos, o que me fazia acreditar que havia muito mais por debaixo daquelas roupas.
Mas que merda é essa?
Pela primeira vez, Isabella falou antes de mim.
- Eu estou livre… – Ela deu um passo a frente, olhando em meus olhos.
Senti o conhecido cheiro de amêndoas misturado com shampoo e pasta de dente.
Continuava fitando seu pescoço, meus olhos iam daí para os cantos de sua boca. O que diabos havia acontecido com ela?
E me dei conta do que ela tinha acabado de dizer. Como assim “estou livre”? Ela estava se oferencendo para mim? Olhei em seus olhos de chocolate, ela me olhava com intensidade. Como se pedisse que eu a escolhesse.
- Eu não tenho nenhum cliente agora. Estou livre, se você quiser ficar comigo. – Repetiu.
Ela estava se oferecendo para mim. E cada palavra que ela pronunciava soava como um pedido. Seus olhos estavam tristes, mas esperançosos.
Até o modo como se oferecia era diferente do de uma puta. Lembrei de Vanessa e pude constatar a diferença gritante entre as duas.
Enfim, falei.
- Oi, Isabella. Está com receio de que alguém deste salão te escolha?
Ela olhou em volta, um pouco acuada.
- Não… É que eu pensei que você quisesse… Você já está de saída?
- Não, cheguei há quinze minutos. Estava esperando por você, já que estava ocupada.
- Ah, sim. – Pareceu quase aliviada. – Eu… não estou, agora.
Fitei-a por alguns segundos, sem dizer nada. Finalmente, falei.
- Ótimo. Cinco minutos?
- Cinco minutos. – E, dizendo isso, se afastou de mim, rumo as escadas que davam para o corredor com os quartos da Casa.
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