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terça-feira, 4 de outubro de 2011

De Repente Amor, Cápitulo 8


Edward's POV
   Sem checar se haviam realmente se passado cinco minutos, tomei o resto de meu whisky e subi as escadas, rumo ao quarto de Isabella.
     Entrei sem bater, e encontrei um ambiente mais escuro do que quando entrei pela primeira vez naquele quarto. Apenas uma luz fraca vinda de um abajour de uma mesa ao longe, encostada na parede, iluminava timidamente o local, deixando a mulher que deitava na cama, vestindo um robe preto totalmente fechado, praticamente nas sombras.
     - Está escuro...
     - É bom que seus outros sentidos ficam aguçados. - A mulher disse, num timbre de voz fraco.
     - Não é bom. Já disse que quero ver...
     Ela se levantou, vindo em minha direção, e num ato completamente imprevisível, me abraçou. Como sua cabeça batia quase na altura de meu queixo, não precisei sequer me mover.
     - Por favor... Vamos fazer assim hoje. Por enquanto...
     Então, senti aquele perfume. O perfume que sempre me fazia perder um pouco do controle que tinha.
     Amêndoas. Amêndoas e shampoo.
     Merda! Aquele maldito perfume...
     Senti suas mãos agora abrindo timidamente os botões de minha camisa, enquanto beijava suavemente meu peito por cima da roupa.
     Eu queria perguntá-la o que havia acontecido, queria saber o que fizeram a ela. Mas estava óbvio que ela não me diria.
     Sem pensar muito, empurrei para os lados o tecido de seda que cobria seus ombros e abaixei minha cabeça até o local, aplicando beijos suaves. O perfume estava mais forte do que o normal, combinando perfeitamente com o ambiente escuro e incrivelmente sensual.
     Minhas mãos foram para o nó em seu robe, abrindo-o lentamente. Ela se afastou um pouco, para que eu pudesse removê-lo completamente.
     Então, fui pego de surpresa, ao constatar que ela não usava nada por baixo do robe, agora no chão.
     E, quase que imediatamente, outra surpresa me fez estacar diante de Isabella. Embora o quarto estivesse escuro, consegui ver seu corpo, em quase sua totalidade, coberto de manchas escuras e arranhões.
     Dei um passo para trás, assustado.
     - Que porra é essa?
     - Ossos do ofício. Vem cá... - Ela veio em minha direção, segurando com firmeza o botão de minha calça e abrindo-o.
     - O quê... Espera aí! O que diabos aconteceu com você?
     Ela bufou, parecendo impaciente.
     - "Aconteceu" um cliente. E isso não é da sua conta!
     - Não é da minha conta? Claro que é! Não quero comer uma mulher que parece ter acabado de ser espancada!
     Minhas palavras impensadas saíram num jorro, e pareceram extremamente insensíveis e rudes no silêncio do quarto.
     Isabella olhou para mim com um misto de raiva e tristeza, parecendo pensar nas palavras antes de pronunciá-las.
     - Foi por isso que deixei as luzes fracas...
     - Achou que eu não fosse ver? Não sou cego! Você parece uma colcha de retalhos, pelo amor de Deus!
     Continuou me encarando por mais dois segundos, então pegou o robe do chão e vestiu-se.
     - Se não vai me comer, peço que saia do meu quarto para que eu arranje outro cliente!
     - Não vou sair! E você não vai ter mais porra de cliente nenhum essa noite! Vou falar com Tanya sobre...
     - Quem você pensa que é pra me dar ordens? - Sua voz estava áspera e alta. - Isso não é da sua conta!
     - Não estou te dando ordens, sua idiota! Estou tentando te ajudar!
     Imaginei que ela viesse formulando uma frase para o momento em que eu acabasse de dar minha réplica. Quando abriu a boca para falar, se conteve a tempo e fechou-a rapidamente, ainda me olhando com raiva. Mesmo que ainda estivesse hostil, sua expressão foi ficando cada vez mais suave. Olhou em volta do quarto, como se algo pudesse dar a ela alguma idéia do que dizer. Cruzou os braços no peito, na defensiva.
     - Edward...
     Senti os pêlos de minha nuca se eriçarem ao som do meu nome na sua voz. Foi estranho, foi bom, mas eu ignorei a sensação.
     - O que fizeram com você? - Insisti.
     - Foi mais uma noite de trabalho. Só mais uma noite. - Ela olhava para baixo, evitando me encarar.
     - É mentira! Já estive com você duas noites, nunca te vi assim!
     - Eu já disse que minha pele é marcada muito fácil...
     - Eu não sou imbecil! Isso não está normal!
     - Edward... - Ela repetiu, com os olhos fechados, como se estivesse determinada a dar um ponto final àquele assunto. - Eu preciso trabalhar. Se não se importa...
     - É pelo dinheiro? - Falei, já perdendo a paciência. Nem eu mesmo sabia o porquê de insistir tanto em protegê-la. Enfiei a mão no bolso traseiro, pegando minha carteira e abrindo-a. Sem saber ao certo a quantidade de notas que meus dedos alcançaram, joguei em cima dela.
     Isabella não fez menção em se mover para evitar que as notas caíssem. Deixou-as alcançarem o chão, fitando-as no percurso.
     - Meus trinta minutos estão pagos! Agora não ouse me expulsar dessa merda de quarto mais uma vez!
     Ainda encarando as notas no chão, ela apertou com força o nó de seu robe e caminhou despreocupadamente para a cama, deitando-se nela de lado depois de passar por mim.
     Fiquei olhando-a por algum tempo, observando o lento escorregar do tecido fino da sua coxa esquerda, finalmente expondo-a totalmente ao meu olhar. Fui sentar ao lado dela.
     Mais perto do ponto de luz, pude observar melhor os hematomas em sua pele. Isabella estava deitada de frente para mim, com os braços cruzados à frente do corpo, mas não me encarava.
     Toquei de leve sua coxa com a ponta do dedo, onde um hematoma era mais evidente. Embora as manchas tirassem muito da beleza e da suavidade, sua pele era incrivelmente macia. Parecia excessivamente sensível ao meu toque, quase quebrável.
     Não pude me conter em fazer círculos pela extensão de sua perna, primeiro com a ponta dos dedos, depois com a mão aberta. Tinha receio de causar dor a ela, por isso fazia com que meu toque fosse o mais suave possível.
     Depois de muitos minutos passados, enfim falei.
     - Não gosto da sua pele assim.
     - Eu também não. - Ela me respondeu, séria, olhando para a parede oposta.
     - Não vai me contar o que aconteceu?
     - Você não é meu psicólogo.
     - Sou seu amigo.
     Ela me olhou, surpresa. Eu sabia o porquê.
     Eu não era amigo de Isabella. Sequer sabia seu nome completo. Não sabia nada sobre ela, mas tentava desesperadamente relacionar meu instinto protetor a algum sentimento nobre, puro. Seria amizade? Embora soasse estranho, soasse falso, só podia ser amizade.
    Mas soava estranho. Soava errado, de alguma forma.
     - Você não é meu amigo.
     - Eu... eu me preocupo com você. Só quero que você fique bem, que não te machuquem. - Eu pronunciava cada palavra com um misto de alívio, por estar falando sem limitações, e confusão, por minhas palavras e meus sentimentos não fazerem sentido sequer para mim mesmo. - Eu poderia te ajudar, se você me disesse o que aconteceu...
     - Não pode me ajudar. - Ela se mexeu um pouco, ainda olhando para mim, o que fez o robe deslizar um pouco por seu ombro. Meus olhos voaram para o local, mecanicamente.
     - Você poderia se abrir comigo... - Comecei, mas nem eu mesmo prestava mais atenção às minhas palavras. Me permiti prender meus pensamentos nas sardas que desenhavam seu ombro exposto, deixando-a, ainda que marcada, mais graciosa. Eu não sabia mais o que minha mão fazia em suas pernas, mas tinha noção de que ainda tocava o corpo de Isabella.
     Fui outra vez atingido inesperadamente por seu perfume. Amêndoas...
     - Eu estou bem. É meu trabalho. Não há nada que você possa fazer pra mudar isso.
     - Seu trabalho... - Balbuciei, ainda fitando suas sardas.
     Mesmo com o olhar fixo em seu ombro, pude notar que ela me encarava. Após alguns segundos, Isabella se mexeu lentamente, sentando-se na cama e chegando mais perto de mim. Com suavidade, aproximou sua boca de meu ouvido e falou, em um sussurro.
     - É meu trabalho dar prazer...
     Merda! Aquele perfume!
     Senti-a morder minha orelha e meu pescoço. Por algum motivo, o perfume parecia ter se intensificado, e eu não conseguia sentir mais nada além daquele cheiro dominando meus sentidos e quebrando, centímetro por centímetro, meu muro de resistência.
     A verdade era que eu não queria resistir. Estava fora de questão exigir de Isabella algo com ela naquele estado, seja lá o que tenha acontecido. Na verdade, estaria fora de questão se ela mostrasse resistência. Misteriosamente, ao contrário da primeira noite que a conheci, ela não se mostrava completamente aversa à idéia de fazer sexo comigo, e eu me perguntava o porquê.
     Talvez ela quisesse mais dinheiro, por um "bom desempenho". Talvez quisesse me prender por mais meia hora, garantindo o pagamento de outros trinta minutos, já que alguns homens poderiam negá-la ao conhecer seu verdadeiro estado por debaixo das roupas que teimavam em esconder seu corpo, e ela terminasse sozinha pelo resto da noite.
     Era compreensível que os clientes a negassem, pois as marcas deixadas na pele daquela garota eram mesmo algo desestimulante. No entanto, não fazia exatamente este efeito em mim. Provavelmente os outros clientes estivessem alheios àquele perfume.
     Eu não.
     Aquele perfume fazia coisas estranhas comigo.
     - Edward?
     - Sim... - Ofeguei, enquanto ela dava leves mordidas entre minha orelha e meu pescoço, em um ponto extremamente sensível em meu corpo.
     - Eu não vou ter mais porra de cliente nenhum essa noite, certo?
     Ela estava me provocando. De novo.
     - C-certo... - Respondi, fechando os olhos com força.
     - Então por que sua mão está na minha virilha?
     - Não sei... - Eu podia sentir meu auto-controle escorrendo pelo ralo, aos poucos. Imperceptível, mas fatalmente.
     - Bom, eu sei.
     E, dizendo isso, sem nenhum aviso, segurou com força meu pau por cima das roupas, e a surpresa me fez pular de leve no colchão.
     - Parece que você quer comer alguma coisa. - Provocou, massageando com a mão minha evidente ereção.
     Eu não podia dizer nada, porque absolutamente nada me vinha à cabeça. Eu queria entrar no jogo e respondê-la com a mesma provocação, mas sequer conseguia formular uma frase, algo que não soasse patético ou mostrasse minha evidente falta de controle.
     - Isabella... Pára de me provocar...
     - Você adora ser provocado. É o tipo de homem que adora isso, não é?
     Sim. Eu era exatamente esse tipo de homem.
     E ela estava se mostrando o tipo de mulher perfeita pra mim: Provocadora e sexy, sem precisar ser vulgar pra isso.
     Sem me conter, meus lábios avançaram para seu ombro, lambendo e beijando suas sardas ainda expostas. Lentamente, com a mão esquerda, puxei de seu outro ombro o robe que ainda o cobria, dando-me uma visão privilegiada de toda aquela área de Isabella. Eu precisava me controlar, mas estava sendo muito, muito difícil.
     - Seu perfume...
     - Não uso perfume.
     - Está muito forte...
     - Você não gosta?
     Suspirei. Não havia como não ser absolutamente sincero àquela pergunta.
     - Eu amo...
     - Edward? - Ela falou, baixinho em meu ouvido.
     - Sim...?
     - Seu tempo acabou.
     - O quê? - Falei, um pouco surpreso e fora de rumo. Ela deu uma última mordida em minha orelha e se afastou.
     - Seus trinta minutos acabaram.
     Levei algum tempo para conseguir me situar e voltar à realidade.
     - Meu tempo... - Tentei organizar os pensamentos.
     - Sim, seu tempo. Acabou. Seus trinta minutos.
     Ela se levantou da cama, cobrindo os ombros expostos, enquanto afastava minha outra mão que permanecia em sua virilha. Andando um pouco cambaleante, alcançou o móvel baixo na parede à direita, se apoiando nele enquanto mantinha os olhos fechados com força, como se quisesse afastar algum pensamento.
     - Eu... - Comecei, mas não sabia o que dizer.
     Ela abriu os olhos e me olhou. Um olhar diferente. Um olhar forte, intenso.
     Retribuí o olhar, fitando-a também por algum tempo, sem dizer nada. O silêncio pairava sobre o quarto escuro, nos prendendo no ar misterioso do momento. Tive a impressão que ela também não sabia o que dizer, mas, como eu, não queria se despedir.
     Finalmente, levantei-me da cama, puxei do bolso de trás minha carteira e a abri, alcançando todas as notas que se encontravam dentro.
     Dobrei o bolo de notas e estendi para Isabella. Ela hesitou, mas, por fim, pegou a quantia que eu a oferecia. Não sabia ao certo a soma de dinheiro que havia entregado a ela, e, para minha surpresa, ela também não verificou, deixando o maço de notas dobradas esquecido em cima do móvel atrás de si.
     - Você é minha pelo resto dessa noite. - Falei calmamente.
     - Tudo bem. - Ela respondeu, após pigarrear sem força.
     Eu sabia o que queria fazer durante todas as horas que me esperavam dentro daquele quarto. Infelizmente, minha consciência me impedia de ser alguém sem princípios, mas meu corpo precisava ter o que vinha buscando por algum tempo, e que até agora não havia conseguido.
     Ela.
     Mas não podia impor o que eu queria. Embora eu fosse um cliente, embora esse fosse seu trabalho e eu estivesse pagando por ele, não podia exigir algo dela nessas condições. Eu sabia que outros já haviam feito isso aquela noite, mas eu não queria ser igual aos outros.
     Lentamente, guardei a carteira no bolso traseiro de minha calça e deitei de barriga para cima na cama de Isabella, olhando para o teto, minha camisa ainda aberta pela tentativa no início da noite.
     Estaria nas mãos dela decidir o que fazer. Se ela quisesse, ficaríamos em silêncio pelo resto da noite. Mas eu torcia para que ela traçasse outros planos para nós. Porque o que eu queria, o que eu precisava, só poderia ser feito se ela assim desejasse.
     Ainda estava preso em meus pensamentos quando meus olhos captaram a mudança no ambiente, inesperadamente. O quarto havia mergulhado em uma total escuridão. Isabella havia apagado o abajour que permanecia na mesa atrás dela. A única fonte de luz se fora, e meus olhos agora acostumavam-se lentamente com o breu completo, quebrado apenas pela luz da lua quase cheia da noite estrelada, conseguindo marcar as silhuetas de alguns objetos e do corpo dela.
     Fechei os olhos, tentando manter meus pensamentos em ordem e minha respiração constante. Eu não queria ficar tenso ou ansioso, queria agir como sempre agi nessas situações: Calmo e despreocupado. Porque esse tipo de situação era banal, mas por algum motivo que eu não sabia explicar, não conseguia ver nada de banal no que estava acontecendo naquele momento.
     Senti o colchão embaixo de meu corpo afundar levemente, e então, pela segunda vez na noite, pulei de surpresa quando senti Isabella beijar minha barriga.
     Com delicadeza, ela foi subindo sua boca lentamente por meu tronco, até depositar beijos suaves em meu pescoço. Arfei ao sentir seu corpo completamente despido sobre o meu. Ela parecia menor e mais macia do que o normal.
     - Deus...
     Aquilo estava exigindo demais do meu auto-controle, e a pior parte era que ela sequer havia me tocado ainda. Eu mal conseguia me conter enquanto ela me provocava com seus dentes na minha mandíbula, migrando para meu pescoço e minha orelha, voltando para meu peito e descendo obscenamente de volta para minha barriga.
     Com casualidade, ela abriu o único botão que permanecia preso em minha calça, movendo para baixo o zíper e retirando-a de mim, juntamente com a cueca. Eu não ousava me mexer, com medo de que no momento em que resolvesse tocá-la, minha calma, já abalada, fosse por água abaixo.
     - Onde está?
     - Bolso esquerdo... - Respondi mantendo os olhos fechados com muita força, mesmo sabendo que se eu os abrisse, não conseguiria ver quase nada.
     Perguntei a mim mesmo o motivo de tentar manter a calma e o controle, já que, inevitavelmente, em algum momento daquela noite tudo iria às favas e nós faríamos o que eu sabia que faríamos. O pensamento de que não precisava continuar freando a mim mesmo deixou-me subitamente alegre, mas meu lado racional insistia em dizer que, durante toda aquela noite, a cautela era extremamente necessária.
     Era necessária porque eu sabia da urgência que meu corpo tinha. Era patético, mas naquele momento, eu a desejava com todo o meu ser, e sabia que ela estava frágil, para dizer o mínimo. Sabia que, se não fosse cuidadoso, acabaria machucando-a mais.
     E pior, sabia que se não tomasse cuidado, acabaria me entregando a tudo, absolutamente tudo naquela mulher.
     Senti Isabella largar a calça que mantinha em suas mãos, na busca frenética pelo preservativo. Já esperava pelo ruído baixo da embalagem sendo rasgada, mas isso não aconteceu.
     - P-p-putaquepariu!
     Não consegui conter o palavrão ao sentir a ponta de sua língua passar timidamente pela cabeça do meu membro, agora tão absurdamente firme que chagava a doer. Como se ela soubesse disso, começou a lambê-lo com muita suavidade, sem usar os dentes. Depois de algum tempo, meu corpo já acostumado com seu toque, ela finalmente me tomou na boca de uma só vez, apenas deixando com que, novamente, meu membro se acostumasse com o calor e a maciez do que agora o envolvia.
     Eu tremia violentamente, na tentativa desesperada de não explodir ali mesmo, mandar a cautela pro inferno e tomá-la com toda força que me era possível. Finquei meus dedos no colchão macio da cama, procurando ao mesmo tempo me estabilizar e manter minhas mãos ocupadas.
     Não funcionou.
     Na terceira subida que sua boca fez em mim, minhas mãos migraram com rapidez para sua cabeça, meus dedos entrelaçados em seus cabelos, reforçando o movimento de vai-e-vem que ela fazia.
     Eu expirava com força, tentando disfarçar a angústia em meus gemidos. Meus olhos rolavam para dentro, e eu não conseguia ter um pensamento coerente sequer.
     Seus movimentos agora começavam a ficar mais firmes. Ela apertava os lábios em volta do meu corpo, e quando chegava à ponta, intensificava a força que fazia com a língua, chupando com vontade a parte mais sensível ali, para só então voltar a colocar meu pau quase que inteiramente dentro da boca outra vez.
     - Aaahhhh... Eu... Eu vou gozar! Merda!
     Não demorou nem cinco segundos.
     Enquanto voltava do transe, começando a ouvir novamente o som de minha própria respiração ofegante na escuridão à minha volta, senti a boca de Isabella ainda me envolvendo, verificando se todo o sêmen já havia sido engolido antes de poder tirá-la dali.
     - Vou te dar dois minutos. - Falou, provocativa.
     Respirei fundo, retirando as mãos de seus cabelos e passando-as pelo rosto.
     - Acha que não dou conta?
     Dizendo isso, virei-a e a levei mais para perto da cabeceira, me posicionando em cima dela, entre suas pernas. Agora era minha vez de provocá-la.
     - Saiba que posso foder você uma, duas, três vezes seguidas. Sem nem tirar.
     - Isso é impossível. - Disse, e eu pude ver em seu rosto, pelo brilho que a lua refletia, que ela sorria.
     - Acredite, eu posso fazer isso.
     - Eu vou tirar isso a limpo.
     - Está me desafiando? - Perguntei, brincando com a língua em seu pescoço. - Bom, eu gosto de desafios...
     Alcancei sua mão esquerda, pegando o preservativo que ela segurava.
     - ... mas não hoje. - Finalizei.
     Rasguei a embalagem ficando de joelhos na frente dela.
     - Você pode me dar uma mãozinha?
     Ela entendeu o recado, segurando com força meu pau e movimentando-o para cima e para baixo, como ela sabia muito bem fazer. Foi o suficiente após algum tempo, quando afastei sua mão de mim e rolei o preservativo por toda a extensão de meu membro.
     Isabella segurou outra vez meu pau, guiando-me para sua entrada. Segurei nos seus quadris sem muita força e penetrei-a lentamente, testando a posição.
     Uma. Duas. Dez vezes.
     - Não estou machucando?
     - Não...
     Reparei que ela me olhava profundamente, e seu olhar transmitia uma gratidão que eu não entendi.
     - Que bom, outra posição boa pra gente. - Penetrei-a novamente, deitando meu corpo em cima do dela, deslizando minhas mãos pela sua barriga e seus seios no percurso, finalmente parando em seus cabelos.
     Posicionei minha boca em sua orelha, intensificando um pouco o movimento que meu pau fazia dentro dela.
     - Isabella?
     - Sim...
     - Posso chamar você de Bella?
     Ela demorou a responder, claramente pensando se seria uma boa idéia me deixar fazer isso. Eu sabia que esse apelido era usado apenas por suas amigas, pessoas que ela se importava e que se importavam com ela. Eu, obviamente, era só um cliente.
     - Pode.
     Estoquei com força nela, e ela gemeu surpresa.
     - Seu nome é bonito...
     Outra estocada. Outro gemido alto.
     - ...mas Bella é mais... fofo.
     - Ahhh!
     - Além do mais, é mais curto.
     - Pára com essa porra! Aaahhh!
     - Parar com o quê? - Perguntei ao pé do ouvido, inocentemente, metendo nela outra vez.
     Ela suspirou, agarrando-se em meus cabelos.
     - Bella, só estou querendo conversar.
     Meti outra vez, com mais força do que antes.
     - Que ótima... hora... pra conversar!
     Comecei a investir mais rápido e com mais força, mas mesmo assim mantinha meu tom de voz despreocupado. Sim, eu queria provocá-la, e ao que tudo indicava, estava conseguindo.
     - Me explica uma coisa... Na primeira vez que a gente trepou, você não estava nem aí pra mim. - Como as estocadas estavam mais fortes e mais rápidas, foi difícil manter o tom calmo e casual na voz. Ainda assim, continuei teatralmente. - Agora você parece um pouco mais envolvida.
     - ...putaqueopariu...
     - Quero dizer, você poderia até meditar enquanto eu te comia, não parecia se abalar nem comigo todo dentro de você. E hoje, você não quer conversar. É estranho, sabe?
     - Edward?
     - Sim?
     - Vá se foder!
     - Prefiro foder você.
     - Seu...
     - Acho que você me acha um cara legal.
     Levantei, me posicionando de joelhos na cama entre suas pernas novamente, ainda dentro dela, segurando agora sua cintura com força, e estocando violentamente.
     - Eu sou um cara legal, não sou, Bella?
     - AHHHH!
     Senti seu corpo envolver e comprimir meu membro em ondas cada vez mais rápidas, e pude constatar que ela ia ter um orgasmo. Automaticamente, fitei seu rosto.
     Eu sabia que um orgasmo era o momento no qual seu corpo estava completamente entregue e sua alma em paz. Era muito fácil ver a essência de uma mulher na hora do clímax, porque naquele momento não haviam fingimentos ou precauções.
     Eu queria vê-la.
     E com a luz que inundava o quarto pela janela, eu a vi.
     Isabella havia jogado seus braços acima de sua cabeça, repousados no colchão em um arco quase perfeito. Sua boca estava aberta, puxando todo o ar que podia para ajudá-la a lidar com a explosão que seu corpo estava prestes a sofrer. Seus olhos fechados dançavam por trás das pálpebras, acompanhando o movimento que eu fazia dentro de seu corpo. Duas ou três vezes, seus olhos abriram-se timidamente, apenas para voltarem a se fechar lenta e prazerosamente com a próxima estocada que viria.
     Ela estava absurdamente linda.
     Linda como eu nunca havia percebido.
     Não sabia se era efeito da luz perolada que a lua me oferecia, ou se era aquele perfume que, eu começava a temer, tinha algum poder sobrenatural sobre mim, mas o fato era que Isabella, Bella, era uma visão de tirar o fôlego.
     Até mesmo suas manchas e hematomas não apagavam sua graça naquele momento. Eu já a havia sentido gozar antes, mas nunca tinha visto isso. Agora eu podia ver a cena que havia perdido, e, meu Deus... Era linda!
     Tentei acompanhá-la no clímax, e consegui. Joguei minha cabeça para trás, deixando meu corpo ser inundado pela inconsciência, alguns instantes depois de ouvir de sua boca um gemido final de prazer entre respirações ofegantes.
     Então, tudo ficou em paz.
     Eu estava de joelhos, com a cabeça baixa, ainda dentro dela. E poderia ficar assim por um bom tempo, se minhas pernas não começassem a ficar dormentes.
     Com cuidado, me retirei de dentro de Isabella e fui deitar ao seu lado, de bruços.
     Esperei mais alguns minutos em silêncio, olhando para a figura de uma garota linda, agora quase adormecida ao meu lado.
     - Ei... - Falei baixo, enquanto tocava com a ponta do dedo o corte em sua maçã do rosto. - O resto da sua noite ainda é meu. Não pode dormir.
     Ela sorriu, ainda com os olhos fechados.
     - Não vou dormir. Só preciso descansar, porque embora você seja o deus do sexo, eunão consigo ser fodida três vezes seguidas.
     - Eu sou demais. - Sorri, presunçoso.
     - Quantos anos você tem? Quinze?
     - Você só está com inveja porque EU sou o deus do sexo e você é uma reles mortal.
     - Não quero te chatear, mas já estive com caras que eram realmente bons. Difíceis de serem passados pra trás.
     Fitei-a com malícia.
     - Pois então eu te prometo, Isabella. Hoje eu te deixo como nenhum outro homem te deixou antes. E quando amanhecer, você ainda vai estar sentindo o meu cheiro em você.
     Como combinado, o restante daquela noite foi meu. Certa hora tive que descer em busca de Tanya, para informá-la que Isabella não iria mais estar disponível. Ignorei a reação de espanto que recebi, subindo novamente ao quarto dela e ficando por lá.
     Fizemos sexo de todas as maneiras, em posições que eu nunca havia tentado e em vários lugares dentro do quarto, como cama, chuveiro, chão, penteadeira e escrivaninha. Meu preservativo extra na carteira não foi suficiente, e eu tive que usar ainda três dos muitos que Isabella guardava em seu criado mudo.
     O que me intrigava era o fato de que eu não conseguia cansar dela. Não no sentido de exaustão - já que quando o relógio marcava 04:00 da manhã, nenhum de nós conseguia sequer se mexer - mas sim no sentido de que eu não enjoava daquele corpo. E eu sempre,sempre enjoava fácil das mesmas mulheres.
     Afinal, ela deve ter mesmo algo de especial.
     Não sei em que momento deixei de saber onde estava, mas finalmente me permiti afundar na inconsciência, e, daquele ponto, não conseguia me lembrar de mais nada sobre aquela noite.

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